Política

Baiana presa pelos atos de 8 de janeiro denuncia condições em penitenciária: “Comida podre com unha e pedra”

Reprodução / TV ALBA - Marcelo Camargo / Agência Brasil
Renata Sousa Massa revela abusos e falta de higiene na Penitenciária Feminina do DF após atos de 8 de janeiro  |   Bnews - Divulgação Reprodução / TV ALBA - Marcelo Camargo / Agência Brasil
Cauan Borges

por Cauan Borges

cauan.borges@bnews.com.br

Publicado em 09/04/2026, às 17h51



A baiana Renata Sousa Massa, detida após os atos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, relatou de forma contundente as condições enfrentadas enquanto esteve sob custódia no sistema prisional do Distrito Federal.

📲 Clique aqui e inscreva-se no canal do BNews no Youtube!

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

A declaração ocorreu durante uma homenagem póstuma a Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como “Clezão”, durante uma sessão na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), realizada nesta quinta-feira (9).

Em discurso emocionado, Renata descreveu desde o momento da detenção até a chegada à Penitenciária Feminina do Distrito Federal, e direcionou fortes críticas aos agentes de segurança do local por conta do suposto tratamento recebido e das condições da prisão.

De Brasília, fomos para o ginásio, eu cheguei no ginásio, eram por volta de 4 e meia da tarde da segunda-feira do dia 9. Eu saí de lá 4 horas da manhã da quarta-feira para o IML, para fazer o corpo de delito e depois para a penitenciária, sem ter cometido crime algum. Lá dentro da penitenciária, para quem acha que foi pouco, era comida podre, era comida com unha, com pedra, era lavagem. A água que nós bebíamos, a gente tinha que botar no copo e esperar até cantar para beber a água, porque era a água da torneira e ainda assim nós tínhamos medo de comer e de beber água”, comentou.

A baiana não poupou detalhes e também afirmou que havia restrições a manifestações religiosas pois “incomodava as agentes” durante a detenção e relatou episódios que classificou como abusivos.

“Nós não podíamos cantar o hino, porque incomodava os agentes, nós não podíamos cantar louvores, porque incomodava as agentes, nós não podíamos rezar, que incomodava as agentes. Elas colocavam a gente no sol de meio-dia, por volta de, a gente imagina uns 20 a 30 minutos, sentadas naquele cimento quente, cabeça baixa, mão para trás e em silêncio. Eram gritos, foi violência psicológica, violência física, verbal. As pessoas podem imaginar o que nós passamos, mas nunca vão saber o que nós sentimos na pele”, completou.

ASSISTA:

Relembre o caso

Renata Sousa Massa foi presa em decorrência dos atos antidemocráticos registrados em 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Posteriormente, a baiana permaneceu custodiada na Penitenciária Feminina do Distrito Federal e, em maio do ano passado, teve a liberdade provisória concedida, mediante o cumprimento de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou a flexibilização dessas medidas para que Renata pudesse participar do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Massa já havia sido liberada para realizar a primeira fase da prova e, posteriormente, obteve autorização para a segunda etapa.

“A requerente efetivamente comprovou que no dia 21 de janeiro de 2024 prestará o Exame de Ordem Unificado. Razão pela qual defiro o pedido formulado e autorizo o deslocamento da requerente Renata Sousa Massa ao local de prova, condicionado à comprovação do local que será realizado o certame”, decidiu Moraes.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)