Política
O ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), subiu o tom contra a oposição baiana e defendeu a privatização da rede de supermercados estatal Cesta do Povo. Ele fez um paralelos entre os pleitos de 2022 e 2026, além de rebater críticas sobre o surgimento do Banco Master, associado ao Credcesta, um cartão de crédito e consignado voltado para servidores públicos, nascido da privatização da estatal baiana. Em entrevista concedida nesta segunda-feira (13), ex-governador da Bahia, ao abordar a venda da Cesta do Povo, justificou a medida como uma necessidade fiscal diante de um "supermercado falido".
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Segundo o ministro, a rede acumulou um prejuízo de R$ 1 bilhão nos oito anos anteriores à sua decisão de venda.
Essa Cesta do Povo, quando o Wagner entrou no governo, constatou que ela só dava prejuízo. E Wagner, na época, trocou a gestão, colocou gestão profissional, depois mudou de novo; tentou durante oito anos que aquele negócio parasse de dar prejuízo, e continuava dando prejuízo", declarou Rui.
"E quando eu entrei, eu disse: ‘Isso aqui não tem jeito’. Por que não tem jeito um supermercado estatal? Porque hoje, como é que funciona um supermercado? O dono de uma rede gigante pega o telefone agora, liga para o fabricante e diz: ‘Olha, eu estou baixando o preço do seu produto aqui em 10% para fazer promoção. Se não gostar, venha aqui e recolha tudo das minhas prateleiras’", ressaltou.
Rui relembrou o processo da venda. "Dava prejuízo sempre. Quando entrei, fiz um balanço: nos últimos oito anos tinha dado 1 bilhão de reais em prejuízo. O povo pobre da Bahia não pode ficar pagando esse prejuízo, então decidi vender. Fizemos o primeiro leilão e deu deserto — ninguém se interessou. Procurei Bradesco, Banco do Brasil, Itaú... e a proposta de todos era: ‘Separe o cartão da rede de supermercados que a gente se interessa pelo cartão, mas pela rede não’", declarou o ex-ministro.
Essa rede chegou a ter 400 supermercados; quando entrei, tinha pouco mais de 100. Eu disse que não fecharia todas, queria um compromisso de manter 40 a 50 lojas funcionando por cinco anos. Os principais bancos caíram fora. Quem entrou na disputa foi um fundo de investimento espanhol. O Banco Master não existia na época. Fizemos o leilão na Bolsa de Valores de São Paulo e vendemos. Daí em diante, é responsabilidade de quem comprou", pontuou.
Ainda segundo o ex-ministro, não cabe ao governo estadual fiscalizar cartão de crédito e sim ao Governo Federal e ao Banco Central. A investigação, segundo ele, só aconteceu durante o Governo Lula, em investigação conduzida pelo atual presidente, Gabriel Galípolo. No entanto, foi no governo Bolsonaro que o caso teria tomado outras proporções.
"Ele [o proprietário] entrou com o pedido no final de 2018. Em fevereiro de 2019, um relatório de centenas de páginas do Banco Central disse: ‘Você não tem capacidade financeira econômica de ser dono de banco’, e negou a compra", lembro Rui Costa.
"Para comprar banco, não basta ter o dinheiro; o Banco Central tem que autorizar. Seis meses depois, no mesmo ano, muda a diretoria do Banco Central e assume o novo presidente indicado por Bolsonaro, o Campos Neto. Com essa nova gestão, o relatório muda da água para o vinho e diz que ele tem capacidade", acusou.
Ele virou banqueiro no governo Bolsonaro, autorizado pelo Campos Neto. A partir daí, foi só comprando e dobrando de tamanho de um ano para o outro. Nenhum banco no Brasil crescia como ele. Assustadoramente", citou o ex-ministro.
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