Política
O empresário Roberto Leme, mais conhecido como Beto Louco, afirmou, em proposta de delação premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR), que pagou R$ 2,5 milhões para cobrir um show de Roberto Carlos no Réveillon de 2024 no promovido pelo governo do Amapá. O intermediário, segundo o empresário, foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP). As informações estão em matéria publicada neste sábado (13) pela Revista Piauí.
A contrapartida de Alcolumbre pelo pagamento do show do Rei seria intervir junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP) que havia proibido a Copape, fabricante de gasolina controlada por Beto Louco, de continuar a produção do combustível. O empresário alegou que o fechamento da atividade foi por "perseguição regulatória". O acordo teria sido firmado com Alcolumbre em reunião no gabinete do senador em 20 de dezembro de 2024.
Alcolumbre, segundo a delação, indicou um intermediário chamado "Cleverson" para receber os pagamentos. Segundo documentos entregues à PGR, este intermediário indicou duas contas bancárias para receber os pagamentos: uma conta era da CINQ Capital Instituição de Pagamentos, no Banco do Brasil. A outra era da QIX Transportes Logística Ltda, na Sicredi. As parcelar de R$ 1,25 milhão foram pagas na véspera do show do Rei, que ocorreu em 28 de dezembro.
Segundo apuração da Piauí, o número do contato "Cleverson" tem DDD do Ceará e pertence a Kleryston Pontes Silveira, empresário de nomes como Xand Avião, Zé Vaqueiro, Nattan e Mari Fernandez. Mas ele não representa Roberto Carlos.
Em nota, o senador negou envolvimento com as empresas que receberam os pagamentos de Beto Louco. Confira a nota abaixo:
"As empresas mencionadas [refere-se à QINC e à QIX] nunca patrocinaram o Réveillon do Amapá nem qualquer evento articulado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O senador não mantém relação comercial ou empresarial com os citados.
É fato público que o presidente Davi sempre buscou, de forma institucional, correta e transparente, apoio de empresas para iniciativas que fortalecem a cultura e geram empregos no Amapá — como a Expofeira, o Carnaval e o Réveillon. Em 2024, o senador solicitou a várias empresas e instituições apoio para fomentar o evento, entre elas a Febraban e o Banco do Brasil.
Como senador do Amapá, Davi Alcolumbre atua diariamente em todas as pautas estratégicas para o estado. Recebe dezenas de pessoas por dia em seus compromissos, sempre dentro da legalidade, e continuará fazendo isso porque o desenvolvimento do Amapá é a sua bandeira.
O presidente do Senado repudia de forma categórica qualquer tentativa de associá-lo a atos ilícitos, denuncia a distorção dos fatos e reafirma seu compromisso inegociável com a lei e com a verdade".
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