Política

Capitão Alden diz que sistema de segurança pública da Bahia está “em frangalhos”

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Alden menciona que a Bahia tem o segundo pior salário para policiais e aponta a saída de profissionais em busca de melhores condições  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Youtube
Davi Lemos

por Davi Lemos

davi.lemos@bnews.com.br

Publicado em 21/10/2026, às 19h27



O deputado federal Capitão Alden (PL/BA) criticou a política de segurança pública da Bahia e afirmou que o sistema de polícia e Justiça do estado está “em frangalhos”. Em entrevista ao programa Se Liga Bocão, da Rádio Baiana FM, nesta quarta-feira (21), o parlamentar apontou problemas como a baixa elucidação de crimes, a saída de policiais das corporações, a superlotação dos presídios e a falta de valorização dos profissionais de segurança.

Alden afirmou que a Bahia acumula mais de 110 mil assassinatos desde 2006, citando dados que atribuiu à Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). Segundo ele, um relatório do Ministério da Saúde também apontaria quase 40 mil pessoas feridas por disparos de arma de fogo no estado ao longo de quase duas décadas. O deputado estimou em R$ 16 milhões por ano o custo relacionado ao atendimento de pessoas baleadas.

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Durante a entrevista, Alden também declarou que a Bahia lidera os números de assassinatos de mulheres, homens, pessoas LGBT e jovens. As afirmações foram apresentadas pelo parlamentar como parte de um diagnóstico sobre a violência no estado.

O deputado reconheceu que o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) realizou contratações para as forças de segurança, afirmando que mais de 11 mil policiais militares e bombeiros militares ingressaram nas corporações durante a atual gestão. No entanto, questionou a necessidade de novas contratações diante da saída recorrente de profissionais. Segundo ele, entre mil e 1,5 mil policiais e bombeiros deixam as corporações por ano em busca de melhores salários e oportunidades de trabalho.

Alden também criticou a remuneração dos profissionais de segurança pública na Bahia. Segundo ele, os policiais militares do estado têm o segundo pior salário do país, enquanto os agentes da Polícia Civil recebem a pior remuneração entre os profissionais da categoria no Brasil.

Outro ponto levantado pelo parlamentar foi a baixa taxa de elucidação de crimes. Alden afirmou que, enquanto a média nacional estaria entre 30% e 35%, a Bahia solucionaria apenas 14% dos casos. Para ele, o trabalho policial não é suficiente quando as demais etapas do sistema de Justiça não apresentam resultados satisfatórios.

“Não adianta a polícia prender muito, e a Polícia Militar faz esse trabalho, apresenta na delegacia, o promotor apresenta denúncia, mas aí eu tenho outro problema: o Judiciário mais lento e mais caro do Brasil”, declarou.

O deputado também apontou o que considera insuficiência no número de promotores e juízes e afirmou que os magistrados baianos enfrentam uma média de cinco mil processos. Na avaliação dele, a sobrecarga contribui para a lentidão da Justiça e prejudica a resposta do Estado à criminalidade.

Valorização policial

Ao apresentar o que considera o principal caminho para reduzir a violência, Alden defendeu a valorização dos profissionais de segurança pública. Ele argumentou que investimentos em viaturas, armamentos e reformas de quartéis não são suficientes sem melhores condições de trabalho e remuneração.

“O principal ponto [para resolver a violência] é que todos os estados brasileiros que amenizaram a questão da violência e melhoraram o índice de violência passaram por um pressuposto que todos eles têm em comum: passou pela valorização das forças policiais. Não adianta comprar mais viaturas, comprar mais armas, investir em reforma de quartéis se eu não valorizar o homem”, afirmou.

Alden também demonstrou preocupação com a saúde mental dos policiais. Ao comentar um caso de um agente que, segundo relatos da imprensa, teria apresentado um surto, questionou a frequência de problemas psicológicos entre profissionais da segurança. O parlamentar declarou ainda que a Bahia seria o terceiro estado brasileiro com maior número de suicídios entre policiais.

Críticas ao sistema prisional

A situação dos presídios baianos também foi alvo de críticas. Alden afirmou que as unidades estão superlotadas e questionou a capacidade do Estado de impedir que presos utilizem celulares para manter comunicações com pessoas fora das unidades prisionais.

“Até hoje o presidiário cumpre a pena utilizando celular. Se duvidar, funciona lá dentro melhor do que aqui. Eles continuam mandando e desmandando e você não vê uma estratégia do governo clara para dizer ‘eu vou encerrar aqui essas comunicações nos presídios, eu vou aqui reformar os presídios’”, declarou.

Para o deputado, faltam ações concretas do governo estadual para enfrentar os problemas apontados na segurança pública. Ao resumir sua avaliação sobre o cenário, Alden afirmou que “todo o sistema de polícia e Justiça está em frangalhos”.

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