Política
por Daniel Serrano
Publicado em 14/06/2026, às 10h26 - Atualizado às 10h26
O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS" e apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), apresentou à Polícia Civil a sua versão sobre a suposta ameaça de morte feita ao ex-diretor executivo de suas empresas, Edson Claro Medeiros Junior. As informações são da coluna de Natália Portinari, no portal Uol.
Em depoimento por escrito enviado à Polícia Civil, o Careca do INSS negou ter feito as ameaças e que o caso trata-se de um desentendimento entre eles durante uma reunião realizada em junho de 2025, quando cobrou a devolução de dois carros de luxo, uma BMW M5 e um Porsche 911 Carrera GTS, registrados em nome de uma de suas empresas.
Antunes revelou que o desentendimento ocorreu após Edson Claro ter dito que devolveria os veículos se recebesse R$ 2 milhões e a transferência da World Cannabis, empresa de canabidiol com sede em Brasília que era diretor executivo.
A versão apresentada pelo Careca do INSS diverge do relato de Claro. O ex-diretor afirmou que, na mesma reunião, Antunes exigiu a entrega de celulares, notebooks e um iPad que conteriam informações consideradas sensíveis sobre seus negócios e sobre investigações em andamento. Segundo o depoimento de Claro, após uma discussão, Antunes teria feito uma ameaça direta: "Se você não me entregar os aparelhos e abrir a boca, eu vou meter uma bala na sua cabeça".
No depoimento enviado à polícia, Antunes alega que exigiu a devolução dos veículos e nega ter pedido a entrega dos aparelhos eletrônicos. "Solicitei que devolvesse apenas os mencionados carros de minha propriedade e que ainda estavam com ele", disse.
O empresário afirmou ainda que a reunião ocorreu na presença de outras pessoas e que o próprio Edson Claro informou que estava gravando a conversa. O Careca do INSS disse que a suposta gravação nunca foi apresentada porque desmentiu a acusação feita pelo ex-diretor.
Edson Claro é apontado como uma das principais testemunhas contra Antunes após eles terem rompido entre ambos, ocorrido no contexto da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federaal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).
Em depoimentos recentes, ele também fez acusações envolvendo supostos pagamentos ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de apontar uma suposta participação dele em negócios da World Cannabis em Portugal. A defesa de Lulinha nega as acusações.
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