Política
por Silvânia Nascimento e Yuri Pastori
Publicado em 02/06/2026, às 10h50 - Atualizado às 10h55
O pré-candidato a deputado estadual Kléber Rosa (Psol) fez duras críticas ao pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União), por ter publicado vídeo nas redes sociais na última segunda-feira (1º) em que aparece na Travessa Ubatã, localizada na Avenida Edgard Santos, no bairro de Narandiba, em Salvador, favela dominada por facção.
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Nas imagens, o ex-prefeito de Salvador denuncia o avanço do domínio territorial das facções criminosas na capital baiana. Ele percorre a rua, entra em imóveis abandonados, mostra marcas de tiros nas paredes, portas perfuradas por disparos, objetos deixados para trás pelos antigos moradores e pichações com as siglas da facção que passou a controlar o local.
"O carlismo é responsável pelo modelo de cidade que a gente vive. Salvador é a capital nacional da violência, a prefeitura não assume sua responsabilidade.[...] ACM Neto, na campanha dele de 2012, dizia que a responsabilidade pela segurança pública era do gestor municipal e que ele poderia resolver o problema. O que mostra a canalhice desse vídeo, sem contar com o nível de desconfiança que se merece de um lugar que supostamente cravado por tiro, que a população abandonou, e que ele estava ali desfilando livremente", afirmou.
Em entrevista ao BNEWS, o ex-candidato a prefeito de Salvador em 2024 avaliou o que falta ou precisa ser feito para a Bahia conseguir frear as ações criminosas promovidas pelas facções.
"Acho que o termo é enfrentar a segurança pública com responsabilidade, sem populismo eleitoral, que é o que ACM Neto está fazendo. Nós precisamos fortalecer a Polícia Civil como polícia investigativa. Segurança pública se faz com investigação, com uso inteligente de tecnologias e não com produção de guerra, não com produção de corpos, não com produção de mortalidade", disse.
"A Polícia Civil tem 5 mil pessoas para atender a Bahia inteira. A gente chega em determinadas delegacias [...] você tem cinco, seis investigadores num setor de investigação para dar conta de uma população de 80.000, 100.000, 200.000 pessoas", acrescentou.
Kléber Rosa fez também críticas ao modelo de enfrentamento aplicado na atualidade: "Há um abandono da investigação policial, do trabalho técnico, do trabalho de inteligência, e uma escolha pela lógica da guerra, pela lógica do enfrentamento que dá resultado eleitoral [...] mas, na verdade, é uma demonstração de falência absoluta do enfrentamento à violência."
"O remédio é fortalecer a investigação policial, a inteligência com o uso das tecnologias e colocar a investigação à frente da letalidade", finalizou.
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