Política
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), corrigiu o advogado Paulo Renato Garcia Cintra Pinto, defensor do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), durante o julgamento no STF das denúncias contra Jair Bolsonaro e aliados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
O embate ocorreu após o advogado afirmar que era papel da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) “apurar a segurança e confiabilidade das urnas eletrônicas”. Assim que o defensor concluiu sua sustentação oral, Cármen Lúcia pediu a palavra e o confrontou:
"Vossa Excelência disse que é dever da Abin apurar a segurança e fiscalização das urnas no processo eleitoral. Essa frase que eu anotei aqui é a frase de Vossa Excelência?", questionou a magistrada.
O advogado respondeu que essa atribuição estaria relacionada às funções da Abin, justificando que a segurança do processo eleitoral é um tema de soberania do Estado. A ministra, no entanto, rebateu: "Vossa Excelência citou urnas, e urnas são de outro Poder", em referência ao Judiciário. O advogado então se desculpou e deixou a tribuna da Primeira Turma do STF.
Ramagem, que chefiou a Abin no governo Bolsonaro, é acusado de coordenar uma “Abin paralela” para monitorar adversários políticos e alimentar a estratégia do então presidente contra o sistema eleitoral.
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