Política
por Gabriel Santana
Publicado em 16/06/2026, às 14h09
A irmã de Felipe Mourão, mais conhecido como ‘Sicário’, Joana Mourão ameaçou revelar informações contidas em arquivos considerados capazes de “acabar com a família” de Daniel Vorcaro, e todos os aliados do banqueiro dono do Banco Master.
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Segundo o trabalho da investigação do Caso Master, os arquivos apontam que Vorcaro e as pessoas aliadas agiram de forma ativa para tentar comprar o silêncio de Joana. O documento foi produzido pelos investigadores e enviado ao ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. De acordo com o g1, o ministro retirou o sigilo do documento nesta terça-feira (16).
A Polícia Federal relata que depois da prisão e morte de Luiz Phillipi ‘Sicário’ Mourão, Manoel Mendes Rodrigues, que é mais conhecido como Manolo, foi o braço direito do pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, atuando ativamente no Rio de Janeiro, com a intenção de viabilizar os recursos financeiros para a família Mourão, que atravessava dificuldades financeiras desde quando Luiz tinha sido preso.
Nas mensagens que foram interceptadas pela PF, Joana, em tom de ameaça, cobra interlocutores de Daniel por conta das suas dificuldades financeiras. Em uma delas, detalha que iria descontar uma parcela de R$ 40 mil de financiamento e outra prestação da casa onde mora nos próximos dias. Joana ainda diz “Estou desesperada já” durante a conversa.
Foi a partir desse contato que ‘Manolo’ passou a conversar com Keysom Moreira, que é primo de Joana. Moreira ainda diz que iria na mãe de Joana, pois ela seria descontrolada.
De forma específica, a PF cita que a relação de Vorcaro com Manolo, um membro da Turma, era para usá-lo como forma de “instrumento de pressão física e moral” para agir a favor dos interesses da família Vorcaro. A polícia aponta que a reputação de Manoel era explorada para credibilizar as ameaças e amedrontar as vítimas.
A Turma era um grupo que juntava os integrantes responsáveis por ameaças, coerções e levantamentos clandestinos, sob participação direta de operadores ligados ao jogo do bicho.
Após o ‘ultimato’ de Joana, Manolo sugeriu que se encontrassem de forma presencial no último dia 28 de abril de 2026. No encontro, Joana estaria acompanhada da sua mãe, Denise, já qiue Manolo contou para Henrique que se encontrou com a mãe e informou o momento que estava saindo do local.
“Henrique boa noite, estamos conversando com a mãe aqui (...) vamos passar os contratos dos ativos pertinentes ao nosso amigo, no nome dela mãe, para resolver a questão, amanhã dr André já entrará em contato com o dr Thiago para alinhar isso”.
Manoel, então, aponta que o encontro acabou às 00h38, porque nesta hora ele escreve à Vorcaro: “Saí agora, amanhã conversamos”.
Logo após se encontrar com Manolo, a PF relata que Joana continuou ameaçando ‘jogar tudo no ventilador’ com documentos que poderiam incriminar a família Vorcaro.
No último dia 7 de maio, Joana mandou uma mensagem para Manolo, juntamente com um link do Instagram, informando que Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, estava ameaçando Henrique Vorcaro.
“Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho, no que depender de mim HV será o próximo. Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família' maldita!!!".
No último 12 de maio, Joana envia mais uma mensagem para “Manolo”, apontando “Bom dia! Como vc está?! Tudo certo?! Que dia posso assinar o contrato, sabe se já está pronto?! Me liga qdo puder por favor?!”
Ainda segundo a PF, a mensagem de Joana diz à respeito da participação dela no quadro de sócios da JM CONSULTORIA E PARTICIPAÇÕES IMOBILIÁRIA LTDA. Depois de ver os dados da empresa no cadastro da Receita Federal, foi descoberto que o sócio administrador é justamente Joana Machado de Moraes Mourão e o capital social é de R$ 1.000.000,00.
Até então, a Polícia Federal não confirmou se esse contrato foi assinado. Só que as ações realizadas também podem ser um indício de que houve lavagem de capitais, já que estariam sendo repassados recursos financeiros à mãe e à irmã de ‘Sicário’. A natureza desses recursos obtidos foram em contrapartida aos crimes cometidos sob ordem de Daniel Vorcaro.
O banqueiro dono do Banco Master foi preso na 6ª fase da Compliance Zero, que foi deflagrada no último dia 14 de maio, com o enfoque em investigar o suposto uso da máquina pública para obter informações ilegais.
Os investigadores apontaram que os dados eram usados para perseguir adversários e proteger os interesses do grupo, bem como a tentativa de destruir as provas depois das fases anteriores da investigação terem sido cumpridas.
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