Política

Centrão tenta emplacar Lira em ministério de Lula, mas enfrenta resistência de um partido; saiba qual e o motivo

Arquivo/Agência Brasil
A resistência do partido pode impactar a articulação política e a relação do governo com o Congresso Nacional.  |   Bnews - Divulgação Arquivo/Agência Brasil


A atual cúpula da Câmara dos Deputados esboçou um desenho de reforma ministerial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na tentativa de acomodar o atual mandatário da casa, Arthur Lira (PP-AL), que deve deixar o cargo nos próximos dias. A eleição para mesa diretora da Câmara deve acontecer no primeiro dia de fevereiro e o PSD de Gilberto Kassab não gostou nem um pouco da proposta de mudança.

A opção tocada por Hugo Motta (Republicanos-PB), favorito para a presidência da Câmara, prevê Lira no Ministério da Agricultura, hoje nas mãos do PSD, com o senador licenciado Carlos Fávaro. Exatamente por isso que o partido de Gilberto Kassab resiste à ideia.

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No mesmo desenho que está nas mãos de Motta, o líder do PSD na Câmara, Antonio Brito (BA), seria alçado ao Desenvolvimento Social, pasta hoje comandada pelo petista Wellington Dias (PT), senador e ex-governador do Piauí. 

Embora já tenha dito ter o sonho de comandar o setor social, Brito afirmou aos aliados que não aceitaria esse convite, já que, segundo pessoas próximas, esse acordo beneficiaria o Centrão, mas poderia causar um abalo interno no PSD

Segundo relatos, pesou para a decisão a avaliação de que essa proposta beneficiaria o centrão, mas provocaria um abalo interno no PSD, já que faria com que Fávaro fosse exonerado da Agricultura e também se criar uma brecha para possível articulação para saída de Alexandre Silveira (Minas e Energia), também do PSD. Silveira, inclusive, está entre os ministros mais bem quistos por Lula. 

Além disso, Brito no Desenvolvimento Social faria Welington Dias voltar para o Senado, tirando o posto da suplente, a senadora Jussara Lima (PI), que é do PSD, reduzindo a bancada do partido na casa. 

O terceiro nome do partido de Kassab na Esplanada dos Ministérios, André de Paula, que comanda o Ministério da Pesca e Aquicultura, seria demitido. Para o lugar dele, está sendo cotado o petista Edegar Pretto, presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e candidato derrotado do governo do Rio Grande do Sul em 2022.

E a proposta do PSD?

Integrantes do Partido Social Democrático pensa em um outro cenário, com André de Paula indo da Pesca para o Turismo. O União Brasil, que hoje ocupa a vaga com Celso Sabino passaria para a Ciência e Tecnologia, cuja atual ocupante, Luciana Santos (PCdoB), passaria para a pasta das Mulheres. 

Segundo fontes palacianas, a proposta do PSD conta com apoio de uma ala do governo encabeçada pelo ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, Rui Costa, enquanto o desenho de Hugo Motta tem a simpatia dos articuladores do Congresso. 

A esquerda tem minoria na Câmara e Lula tem tido uma relação difícil com o Congresso apesar de ter distribuído 11 ministérios a integrantes do centrão e de partidos de centro-direita e de direita —União Brasil, PSD, MDB, Republicanos e PP.

Com isso, Lula tem sido obrigado a fazer uma reforma com o objetivo de ampliar o poder de partidos de centro-direita e de direita na coalizão com o objetivo de ter mais estabilidade na segunda metade de seu mandato.

Qual proposta é mais palatável para o governo?

Membros do PT avaliam que deixar Arthur Lira (PP-AL) como somente mais um deputado na Câmara, sem um posto de destaque, pode inflar o grupo oposicionista na casa e complicar ainda mais a vida do governo.

Assim, a proposta do PSD, da mesma forma que tem menos chances de ser posta em prática, preocupa  a articulação de Hugo Motta junto ao Planalto.

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