Política

Chefe de gabinete de Hugo Motta tem "poder ilimitado" para movimentar salários de comissionados

Mário Agra/Câmara dos Deputados
Chefe de gabinete de Hugo Motta, Ivanadja Velloso Meira Lima, é suspeita de promover esquema de rachadinha  |   Bnews - Divulgação Mário Agra/Câmara dos Deputados
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 15/08/2025, às 18h56



Ivanadja Velloso Meira Lima, chefe de gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos/PB), é alvo de ação por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que investiga esquema de rachadinha. A chefe de gabinete tem procuração de funcionários comissionados, alguns ainda lotados no gabinete no Motta, para movimentar os salários dos servidores.

Segundo investigação da coluna de Tácio Lorran, dez pessoas que trabalham ou trabalharam no gabinete de Hugo Motta assinaram procurações que dão poderes “amplos e ilimitados” para Ivanadja Velloso. Com isso, ela pode fazer saques e realizar movimentações bancárias em nome dos funcionários. O colunista indica ainda que oito procurações lhe permitem, explicitamente, “receber salários” – dois funcionários que assinaram esse documento seguem no gabinete dele.

Os servidores receberam, no total, R$ 4 milhões em remunerações, considerando apenas o período em que estiveram lotadas no gabinete de Hugo Motta. As procurações foram registradas em cartórios da Paraíba desde 2011, quando o atual presidente da Câmara dos Deputados assumiu o primeiro mandato na Casa.

Ivanadja Velloso responde na Justiça Federal por suposto esquema de rachadinha no gabinete do deputado federal Wilson Santiago (Republicanos-PB), aliado de Hugo Motta. Ela é acusada de movimentar a conta de um ex-funcionário que jamais pisou em Brasília e que nem sequer sabia o valor do seu salário, tampouco o número da conta bancária. Neste caso em que é ré, Ivanadja Velloso também detinha uma procuração, assinada pelo funcionário fantasma, que lhe permitia efetuar saques e movimentar valores.

O documento foi usado pelo Ministério Público Federal (MPF) como prova ao denunciar, em outubro de 2023, a chefe de gabinete e o motorista fantasma. Ela trabalhou no gabinete de Wilson Santiago até 31 de janeiro de 2011 e, no dia seguinte, foi lotada no gabinete de Motta. A prática, entretanto, foi mantida e ela seguiu recebendo poderes para sacar salários e movimentar dinheiro nas contas dos funcionários.

Segundo a coluna, Hugo Motta e Ivanadja Velloso não se pronunciaram. O colunista no Metrópoles tentou contato com 10 pessoas que assinaram as procurações e perguntou quais eram as atribuições delas no gabinete do deputado paraibano. Duas mulheres encerraram a ligação assim que foram questionadas se ficavam com todo o salário.

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