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CINTIA KELLY: Após receber R$ 500 mil do PSD, candidata abandona Geraldo Jr e declara apoio a Bruno Reis

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E mais: facções impedem candidatos do União fazerem campanha em Portão, Lauro de Freitas  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Cintia Kelly

por Cintia Kelly

cintiakelly@yahoo.com

Publicado em 20/09/2024, às 07h00



Após receber R$ 500 mil do PSD, candidata abandona Geraldo Jr e declara apoio a Bruno Reis


Você já viu coadjuvante ganhar mais do que protagonista? Na política, diferentemente da arte, tudo pode acontecer.

Nome apoiado pelos principais cardeais do PSD de Salvador - Edvaldo E Antônio Brito -, o ex-diretor da Conder e candidato a vereador, Carlos Kleber, recebeu do partido R$ 198 mil, dos quais R$ 108 mil são do Diretório Nacional da legenda e R$ 90 mil da Executiva municipal.

Carlos Kleber é postulante a sucessão de Edvaldo, que não irá disputar a reeleição. Há pouco mais de um ano é a aposta do PSD para conseguir uma das 43 vagas no Legislativo soteropolitano. Apesar disso, Ivete Araújo foi mais beneficiada pelo partido. Segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PSD nacional alocou R$ 522.050 na campanha dela. A legenda estadual doou R$ 300.

Mesmo tendo recebido valor alto do partido, Ivete Araújo decidiu apoiar Bruno Reis, em detrimento da candidatura de Geraldo Jr. a prefeito. O PSD faz parte do arco de apoio ao emedebista.

Com 350 seguidores no Instagram, Ivete publicou atividade da campanha de Bruno.

Potencial de voto?

A doação vultuosa a Ivete gerou desconforto entre os candidatos a vereador, sobretudo, naqueles que receberam baixos valores, a exemplo de Ari, presidente da colônia de pescadores.

O PSD doou apenas R$ 12 mil a Ari Pescador.

Esta colunista tentou contato com direção do partido para saber como se deu a divisão do fundo especial para os candidatos, mas não obteve êxito.

Um dos questionamentos é sobre o potencial de voto de Ivete Araújo, que poderia justificar mais de meio milhão na campanha. Candidatos falaram a coluna que também buscam explicação, mas não conseguem falar com os dirigentes partidários. O PSD também foi generoso com Alexandra Derring. Ela recebeu R$ 585 mil.

Em Lauro, facção impede lançamento de candidaturas

Trouxe na coluna passada a atuação de facções criminosas no Nordeste de Amaralina, em Salvador, que deixaram claro que candidatos que forem fazer corpo a corpo com moradores, devem pedir permissão. A moda pegou. Em Lauro de Freitas acontece o mesmo. Ou talvez numa escala seja ainda pior. Em Portão, traficantes estão proibindo novas candidaturas políticas.

Para preservar a integridade da fonte decidi não publicar nome. Com a intenção de disputar a eleição de vereador, um morador de Portão vendeu o próprio carro pra ajudar no financiamento da campanha. No entanto, foi vetado pela facção. Perdeu o carro e não pode seguir em frente com os planos.

Em Portão apenas candidatos do PT podem fazer campanha

A informação que circula por lá é que a facção ‘está fechada’ com candidaturas do PT. No sábado passado, o senador Jaques Wagner e o candidato a prefeito, Antônio Rosalvo, transitaram pelo local livremente.

Fontes ouvidas por esta colunista também relataram a seletividade das facções. Apoiadores da candidata a prefeita de Lauro, Débora Regis (União Brasil), estão tentando levar candidatos a vereador na região, mas não conseguem abertura pra tal. A força do PT por lá, dizem, é grande.

Geraldo Jr esquece  de Kleber Rosa

As pesquisas de intenção de voto - de vários institutos - mostram cenário com o prefeito Bruno Reis (União Brasil) na liderança; Geraldo Jr (MDB) e Kleber Rosa (Psol) empatados dentro da margem de erro. Apesar disso, o emedebista tentou ‘apagar’ a candidatura do pessolista no pleito deste ano.

“Temos duas candidaturas em Salvador: a do atual prefeito, que sempre foi bolsonarista e agora assumiu de vez o bolsonarismo e o negacionismo, e a nossa, de Geraldo Júnior e Fábia Reys, que é do presidente Lula”, disse Geraldo em entrevista ao A Tarde. Ato falho ou o emedebista acredita que apenas ele e Bruno estão no páreo?

Félix Mendonça x Ricardo Maia 

Se engana quem pensa que a disputa em uma eleição municipal se dá apenas entre candidatos a prefeito. Às vezes, a briga é aquecida pelo duelo entre deputados na briga por espaço político. Araci, cidade da região sisaleira da Bahia, é um exemplo disso. Lá, os deputados federais Félix Mendonça Júnior (PDT) e Ricardo Maia (MDB) se degladiam para eleger seus aliados.

Félix recebeu 6.846 votos em Araci no pleito de 2022, sendo o mais votado. Já Ricardo contabilizou 5.089, ficando na segunda posição. O pedetista aposta na reeleição de Keinha, enquanto o emedebista lançou o próprio irmão, o empresário Zelito Maia (MDB), como candidato - ele já tem o filho homônimo prefeito no município vizinho de Tucano e tenta expandir os domínios sob a região.

Em um discurso recente durante um ato de campanha de Keinha, Félix chamou os Maia de "estrangeiros" - os dois são naturais de Ribeira do Pombal. "Já está claro que os aracienses não querem um prefeito estrangeiro, que pertence a um grupo que não sabemos os reais interesses na nossa cidade", disse o pedetista.

Ricardo Maia, por sua vez, tem dito que quer fazer as mesmas transformações em Araci que o grupo liderado por ele teria feito em Tucano e Ribeira do Pombal, onde o atual gestor, Eriksson Silva (MDB), é visto como "cria subserviente" do parlamentar, que também já foi prefeito por lá.

Classificação Indicativa: Livre

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