Política

Ciro Nogueira foi chamado de ‘insuportável’ por cunhado de Vorcaro após cobranças

Agência Senado
Fabiano Zettel criticou Ciro Nogueira em mensagens interceptadas pela PF durante investigação sobre pagamentos  |   Bnews - Divulgação Agência Senado
Antonio Dilson Neto

por Antonio Dilson Neto

Publicado em 21/09/2026, às 18h09



O senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi chamado de “insuportável” pelo empresário Fabiano Zettel, cunhado e ex-operador financeiro de Daniel Vorcaro, após insistir por pagamentos que, segundo a Polícia Federal, seriam feitos pelo então dono do Banco Master.

A conversa ocorreu em 9 de janeiro de 2025, foi interceptada pela PF durante a investigação e divulgada nesta segunda-feira (21) pela coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles. Em uma mensagem enviada a Vorcaro, Zettel questionou: “Irmão, o que eu faço com Ciro e Sicário? Os dois são insuportáveis”. Vorcaro não respondeu.

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No dia seguinte, Zettel voltou a reclamar. “Bom dia. Atualizado pra você. Mais chatos: Saulo; Sicário; Ciro”, escreveu. Na sequência, encaminhou uma planilha com pagamentos pendentes. Entre os valores listados estava uma quantia de R$ 1,4 milhão atribuída a Ciro Nogueira.

Segundo a investigação, o nome do senador aparece ao menos 79 vezes em conversas entre Zettel e Vorcaro analisadas pela Polícia Federal entre 2024 e 2025. De acordo com os investigadores, as menções estavam relacionadas a pagamentos ao parlamentar.

Em outra conversa, Zettel informou a Vorcaro que Ciro havia dado caráter de urgência a um pagamento de R$ 2,5 milhões.

Repasse milionário

As mensagens fazem parte de um conjunto de elementos reunidos pela PF para investigar a relação financeira entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro. Segundo a corporação, o senador recebeu ao menos R$ 6 milhões do banqueiro entre 2024 e 2025, por meio de empresas ligadas a ele.

Os repasses, conforme a investigação, ocorreram de forma recorrente. A PF identificou pagamentos que começaram na faixa de R$ 300 mil e chegaram a R$ 500 mil mensais. O Ministério Público Federal também apontou, em manifestação no caso, que Vorcaro teria realizado repasses mensais à empresa do senador, totalizando ao menos R$ 6 milhões no período.

A investigação também identificou despesas de Ciro com viagens, hospedagens e refeições no exterior que teriam sido custeadas por Vorcaro. Segundo os dados apresentados no caso, esses benefícios somariam pelo menos R$ 468 mil.

A PF ainda apura o uso de empresas ligadas às famílias Nogueira e Vorcaro nas movimentações financeiras. Os investigadores apontam suspeitas de ocultação e dissimulação de recursos e indicam Ciro como possível beneficiário final de parte das operações.

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