Política

Cláudio Castro é acusado de usar dinheiro público para se reeleger; valor surpreende

Fernando Frazão / Agência Brasil
O governador do Rio de Janeiro enfrenta acusações de desvio de verbas públicas para garantir sua reeleição em 2022.  |   Bnews - Divulgação Fernando Frazão / Agência Brasil
Daniel Serrano

por Daniel Serrano

daniel.serrano@bnews.com.br

Publicado em 06/11/2025, às 16h05 - Atualizado às 16h05



O início do julgamento que pode cassar o mandato do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), mostrou detalhes de um suposto esquema para que ele fosse reeleito em 2022.

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De acordo com os autos do processo, apenas no primeiro semestre daquele ano, o grupo de Castro desembolsou mais de meio bilhão de reais para contratação de cabos eleitorais clandestinos.

Um relatório foi apresentado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, na sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da última terça-feira (4). Segundo o documento, foram tirados dos cofres públicos R$ 519.842.120,00 para o pagamento de 27 mil funcionários-fantasma usados no esquema. O valor é quase 30 vezes maior do que os R$ 17,7 milhões que Cláudio Castro estava autorizado a gastar no primeiro turno da eleição.

Ainda segundo a denúncia, o dinheiro foi retirado das folhas de pagamento secretas da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (CEPERJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

“Instituições com relevantes funções sociais foram desvirtuadas para servir de fachada a um esquema de cooptação de votos e financiamento irregular de uma rede de apoiadores de suas pretensões eleitorais. A dimensão quantitativa da gravidade também salta aos olhos”, afirmou Espinosa, no julgamento.

Em seu voto, a relatora do caso no TSE, ministra Isabel Gallotti, chamou a atenção para um suposto desvirtuamento das funções da CEPERJ e da UERJ para os fins escusos.

A denúncia mostra que o procedimento para remunerar os contratados incluía saques em espécie na “boca do caixa”. Para a relatora, essa prática apontou para um método estruturado com notório propósito eleitoral.

“Trata-se de uma sequência de atos que, analisados em seu conjunto, revelam um planejamento orientado para a obtenção de vantagens eleitorais ilícitas”, disse a relatora.

Testemunhas confirmaram que colaboradores dos projetos exigiam deles atuar como cabos eleitorais de Castro e aliados, sob a ameaça de desligamento. 

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