Política
A articulação internacional feita por Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, contra os interesses do Brasil para aliviar a situação jurídica dele, do pai e de apoiadores dos atos golpistas de 8 de janeiro acabou se voltando contra os próprios interesses da extrema-direita.
A manobra, que envolve uma promessa do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros em troca da aprovação da anistia no Congresso, fracassou e teve efeito colateral: inviabilizoou politicamente a tramitação da proposta e, pior, está alavancando a popularidade do presidente Lula (PT).
Segundo a jornalista Daniela Lima, da GloboNews, até mesmo o Centrão recuou. “O Centrão não vê mais espaço para discussão da anistia enquanto essa confusão estiver acontecendo. Foi o que me disse um dos principais líderes do grupo e o que eu coletei com presidentes, plural, de partido, que estão aí, digamos, nesse pedaço que junta centro-direita e centro em si mesmo”, afirmou.
A ideia de usar a pressão externa como forma de barganha caiu mal entre parlamentares, inclusive entre aqueles que historicamente apoiam a pauta. Para lideranças do Congresso, a atitude acabou associando o projeto de anistia a interesses estrangeiros e reforçou sua impopularidade junto à opinião pública.
A proposta, que beneficiaria Bolsonaro e bolsonaristas investigados, já enfrentava resistência tanto na Câmara quanto no Senado. O Palácio do Planalto e ministros do Supremo Tribunal Federal também são contrários à medida.
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