Política

Como Rui Costa ajudou a oposição a derrotar o governo na disputa do IOF

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O objetivo era evitar a derrubada do decreto do IOF, mas o resultado foi desastroso  |   Bnews - Divulgação Divulgação

Publicado em 20/06/2025, às 08h51   Rebeca Santos



Com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em viagem e o ministro Fernando Haddad de férias, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, decidiu envolver o chefe da Casa Civil, Rui Costa, em uma reunião com Hugo Motta e líderes da Câmara na última segunda-feira (16).

O objetivo era evitar a derrubada do decreto do IOF, mas o resultado foi desastroso.

Conhecido por seu estilo direto, Rui Costa não pediu apoio aos parlamentares. Em vez disso, culpou o Congresso pelo aumento de gastos do governo, afirmando que leis aprovadas no Legislativo estariam por trás do descontrole fiscal.

O ministro citou como exemplos a desoneração de setores econômicos, o piso da enfermagem e mudanças na Previdência.

“O Congresso precisa ser mais responsável”, declarou Costa.

A fala, porém, foi mal recebida. Hugo Motta e os demais líderes lembraram que o PT não apenas apoiou algumas das medidas mencionadas, como foi autor da proposta do piso da enfermagem durante o governo anterior.

Segundo informações do portal Veja, líderes ouvidos pelo Radar relataram que esperavam mais moderação de Costa. 

“Rui foi extremamente infeliz”, criticou um deles.

A postura do ministro também rendeu provocações. Isnaldo Bulhões (MDB), ao recebê-lo na casa de Motta.

“Ministro, que saudade do senhor!” – um recado pelo fato de Costa evitar diálogo com políticos e só aparecer em momentos de crise.

Rui Costa ainda foi cobrado por não ter participado da reunião, também na residência de Motta, onde o governo discutiu medidas para proteger o decreto do IOF. 

“Mostra a importância que o chefe da Casa Civil dá ao tema”, reclamou um parlamentar.

Diante da “postura arrogante” de Costa (nas palavras de um líder), a Câmara aprovou horas depois, por 346 votos, o texto que acelerou a revogação do decreto.

A estratégia petista, portanto, saiu pela culatra.

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