Política
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados ainda está sem decisão sobre o futuro de três deputados bolsonaristas que participaram do motim de agosto.
A ocupação da Mesa Diretora, que paralisou o plenário por mais de 40 horas, expôs não apenas a fragilidade da ordem interna, mas também a profundidade da crise política que atravessa o Congresso.
Entre pressões por anistia, ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e disputas pelo controle simbólico da cadeira da presidência, o episódio se transformou em retrato da tensão que domina Brasília.
O que aconteceu
Nos dias 5 e 6 de agosto, deputados bolsonaristas ocuparam a Mesa Diretora. Queriam pressionar pela votação da anistia e pelo fim do foro privilegiado. Também pediram que fosse pautado o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
A cena foi tensa. Líderes precisaram segurar a cadeira do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) e afastar os deputados para que ele conseguisse sentar. No dia 7, Motta prometeu agir contra os envolvidos.
Glauber retirado à força
Na terça-feira (9), o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado pela Polícia Legislativa após ocupar a cadeira da presidência por cerca de uma hora. “Que me arranquem desta cadeira e me tirem do plenário”, disse antes da ação.
Ele pode perder o mandato por agressão dentro da Câmara. Vídeos mostram o momento da retirada. Durante a ocupação, a transmissão da TV Câmara foi cortada e a imprensa, retirada do local.
Depois, Glauber afirmou que pediu a Hugo Motta “1% do tratamento” dado aos bolsonaristas que ocuparam a Mesa em agosto. “Ali, sobrou negociação e diálogo. Nunca cogitaram retirar à força”, disse.
Segundo ele, sua presença na cadeira foi um ato de resistência. “Do que me acusam? De defender minha mãe? De denunciar o orçamento secreto? De enfrentar Arthur Lira? Isso não é motivo para cassação. É tentativa de silenciamento”, declarou.
Pedido de suspensão
Em 23 de setembro, a Mesa Diretora pediu o afastamento de Marcel Van Hattem (Novo-RS), Marcos Pollon (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC). Van Hattem e Zé Trovão podem ser suspensos por 30 dias. Pollon, por três meses.
No dia 7 de outubro, o Conselho de Ética abriu processo disciplinar. A fase atual é de oitivas, com testemunhas sendo ouvidas nesta semana.
Outros citados
Além dos três, outros 11 deputados podem receber advertência por escrito:
Allan Garcês (PP-MA)
Bia Kicis (PL-DF)
Carlos Jordy (PL-RJ)
Caroline de Toni (PL-SC)
Domingos Sávio (PL-MG)
Julia Zanatta (PL-SC)
Marco Feliciano (PL-SP)
Nikolas Ferreira (PL-MG)
Paulo Bilynskyj (PL-SP)
Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)
Zucco (PL-RS)
Como funciona
O Conselho de Ética precisa aprovar as punições antes de levar ao plenário. O relator, Moses Rodrigues (União-CE), dará parecer sugerindo punição ou arquivamento. O prazo é de 90 dias, com possibilidade de prorrogação. Se houver condenação, os deputados podem recorrer à CCJ ou à presidência da Câmara.
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