Política

Construtora ocultou fortuna no Master com ajuda de advogado operador de Vorcaro

Reprodução/Gafisa
Construtora Gafisa é acusada de calote em credores, envolvendo o Banco Master e o advogado Daniel Lopes Monteiro, preso na Operação Compliance Zero  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Gafisa
Lucas Pacheco

por Lucas Pacheco

lucas.pacheco@bnews.com.br

Publicado em 20/04/2026, às 10h20



Mais um capítulo do escândalo do Banco Master veio à tona nesta segunda-feira (20), agora envolvendo a construtora Gafisa, que tem como acionista Nelson Tanure. A empresa é acusada de, junto com o Master, dar calote em credores e proteger o patrimônio, com ajuda do advogado baiano Daniel Lopes Monteiro, que foi preso na última fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF)

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Credores da construtora apontam que ela utilizou o fundo Bergamo, gerenciado pela Trustee DTVM, de Maurício Quadrado, ex-sócio do Master e também investigado pela PF na mesma operação.  

Uma ação da empresa Polo Securitizadora indica que a empresa cobrava um débito de R$ 24 milhões da Gafisa. Mesmo com a justiça autorizando a penhora de valores para pagamento da dívida, em três anos a credora só conseguiu bloquear pouco mais de R$ 800 mil. Posteriormente, a Polo descobriu a construtora era a real dona da totalidade do fundo Bergamo, com patrimônio, em 2022, de R$ 129 milhões.

No curso do processo, o advogado Daniel Monteiro entrou com uma outra ação, pelo Banco Master, tentando evitar a penhora do fundo Bergamo, alegando que ele estava alienado fiduciariamente ao banco.

Na ação, a Polo Securitizadora afirma que não há prova do é alegado pelo Master.  

“A operação de crédito invocada pelo Banco Master não passa de um estratagema (não muito sofisticado, aliás) para criar obstáculos aos credores da Gafisa na localização de patrimônio da Gafisa – o que reforça que ambas as sociedades atuam em conjunto para, dentre outros, burlar penhoras”, diz.

A defesa de Monteiro disse ao site Metrópoles que o advogado “sempre atuou de forma técnica” e que a ação da Polo contra a Gafisa é “mais uma entre milhares que seu escritório atuou na defesa de clientes”.

Depois de o caso vir à tona, o Banco Master desistiu do pedido e a partes fizeram um acordo.

Em nota, a Gafisa afirmou que “o litígio com a Polo Capital se encerrou há pelo menos dois anos” e que “a parceria entre ambas foi retomada e segue em boa ordem”. Por fim, a Gafisa afirmou que “não comenta assuntos relacionados a acionistas”.

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