Política
O senador Angelo Coronel fez um dos desabafos mais duros de sua trajetória política ao comentar os bastidores que resultaram em sua exclusão da chapa majoritária do governo da Bahia.
Em entrevista concedida à rádio Baiana FM, transmitida também pela TV BNews, nesta terça-feira (2), Coronel relatou frustração política, críticas públicas e até problemas graves de saúde após tomar conhecimento de que não teria espaço na composição governista.
Ao explicar sua saída da base, Coronel afirmou que não havia mais coerência em permanecer em um campo político que, segundo ele, passou a negar seu direito à reeleição.
“Como é que eu tava saindo da base, então não dava para entrar num partido da base. Ficaria até um contrassenso”, disse ao apresentador José Eduardo.
O senador afirmou que, apesar de ter perfil de centro-direita, permaneceria na base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) caso o acordo inicial tivesse sido respeitado. Segundo ele, o projeto sempre foi claro: sua candidatura à reeleição.
“Se tudo tivesse certinho como planejado, eu estaria aí tranquilo, disputando o meu mandato e deixar o povo julgar se Coronel merece se reeleger ou não. Não dá para você cassar uma candidatura por decreto, não dá para cassar uma candidatura por capricho.”
Coronel criticou o lançamento antecipado da chamada chapa “puro-sangue” e lembrou que o próprio PSD, maior partido do estado em número de prefeituras, acabou aceitando a mudança de rota.
“Pecou quem lançou a chapa puro-sangue há um ano atrás. Pecou quem andou externando na mídia, inclusive no seu programa, que romperia com o governo se Coronel não tivesse vaga na majoritária.”
Visivelmente emocionado, o senador afirmou que se sentiu politicamente aniquilado ao ser retirado do projeto.
“Se eu aceitasse isso, Eduardo, era o decreto sumário de aniquilar um Coronel da política da Bahia. Eu tenho 67 anos. Quando me tiram o direito constitucional de ir para uma reeleição, isso não é fácil.”
O desabafo ganhou contornos ainda mais graves quando Coronel revelou que o episódio afetou diretamente sua saúde. Segundo ele, a notícia chegou enquanto viajava, no fim de dezembro, e provocou uma crise hipertensiva severa.
“Eu fiquei vermelho. Eleusa me chamou e disse: ‘Seu pai não está passando bem’. Mediram minha pressão e estava 22 por 16. Foram quatro dias sem reduzir.”
Nesse período, afirmou ter se sentido profundamente atingido por comentários públicos que o desqualificavam politicamente.
“Palavras e frases depreciativas, não me xingando, mas me descaracterizando como se eu fosse, me desculpa o termo, uma merda, que não era nada, simplesmente uma marionete. Isso doeu.”
O senador contou que precisou de medicação contínua e acompanhamento médico para evitar complicações mais graves.
“O médico disse: ‘Não passe raiva, procure se divertir’. Eu virei craque de Netflix, assistindo filmes de humor, tentando não interferir no meu cotidiano para não ter um infarto.”
Apesar das críticas, Coronel afirmou que não guarda ressentimentos pessoais de figuras centrais do grupo governista, como o senador Otto Alencar e o ex-governador Jaques Wagner, a quem atribuiu papel decisivo na consolidação da chapa “puro-sangue”.
“Não vou nutrir raiva. Vou cumprimentar todos normalmente, como se nada tivesse acontecido.”
Durante a entrevista, José Eduardo leu uma mensagem enviada pela esposa do senador, Eleusa Coronel, que destacou os anos de vida pública do casal e agradeceu o apoio recebido. Em resposta, Angelo Coronel se emocionou ao falar da companheira.
“Ela é a minha mola que me impulsiona. Uma mulher retada, boa mãe, que me pede calma. Se eu tivesse de casar de novo, buscaria ela onde estivesse.”
Ao final, o senador reforçou que superou o episódio e afirmou estar pronto para a disputa eleitoral.
“Superei. Estou medicado, abençoado por Deus e pronto para iniciar essa campanha. Sei que Deus não me faltará nem o povo da minha querida Bahia.”
Assista a entrevista completa:
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