Política

'A crise de 2025 é mais difícil do que a de 2005 para Lula', afirma João Santana

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Santana critica a ideia de uma aproximação maior de Lula com o centro e defende uma postura mais à esquerda para as eleições  |   Bnews - Divulgação Reprodução / TV Cultura

Publicado em 14/03/2025, às 10h05 - Atualizado às 10h07   Yuri Pastori



O marqueteiro João Santana reconheceu em entrevista a série da newsletter "Jogo Político" do jornalista de O Globo Thiago Prado que, em 2025, a missão de tirar o petista da baixa aprovação é mais complexa do que no passado. 

"Não acho que a situação dele seja terminal, mas vejo como bem profundas as diferenças entre os tempos, o que torna a missão de reverter a crise de popularidade muito mais difícil. Hoje temos a politização caótica e superficial das redes sociais; o crescimento dos evangélicos; a política judicializada; o Centrão como fiel da balança; a conjuntura mundial delicada. Nada disso existia em 2005.", afirmou.

Em 2006, o marqueterio baiano, que fez o presidente sair de uma crise de popularidade depois do escândalo do Mensalão, criou o slogan de campanha "Deixa o homem trabalhar" para o petista.

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Santana, que também ajudou a eleger duas vezes Dilma Rousseff, discorda que deva haver uma aproximação ainda maior de Lula com o centro para alcançar o quarto mandato; e discorda que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é o principal oponente que a direita pode criar para 2026. Para ele, Michelle Bolsonaro seria uma candidata mais forte do que Tarcísio, por ter mais carisma e ser muito religiosa. 

"Não tenho a menor dúvida que à esquerda [é o melhor caminho para chegar competitivo em 2026]. Tanto para vencer no ano que vem quanto para resgatar a biografia do Lula. Fiz a campanha do Fernando Haddad em 2012 para a prefeitura de São Paulo, acho ele uma figura extremamente cordata, mas houve uma acomodação muito grande dele com o setor financeiro e os defensores de políticas fiscalistas. O que é o Brasil de hoje? De um lado, uma esquerda moderada clientelista; de outro, uma direita selvagem e antidemocrática. O equilíbrio não é a busca por um centro amorfo, se for por aí Lula não tem condições de vencer em 2026. Isso não é papo de esquerda defasada, não. Em alguns momentos é, sim, necessário partir para alguns enfrentamentos. E já está ficando tarde para fazê-los", disse.

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