Política
por Henrique Brinco
Publicado em 31/05/2025, às 15h50 - Atualizado às 15h51
O Cristo Redentor é cenário de uma disputa antiga entre a Arquidiocese do Rio de Janeiro e o Governo Federal, representado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo a revista Veja, o conflito gira em torno do controle e dos altos rendimentos gerados pela área ao redor da estátua, localizada no Parque Nacional da Tijuca.
O foco da disputa está em uma área de 6.700 m², onde estão lojas, lanchonetes e o acesso ao Cristo. Ali, a Igreja lucra milhões com eventos exclusivos, cerimônias religiosas e campanhas de projeção na estátua.
Desde 1961, quando o parque foi criado, parte dos poderes e receitas antes exercidos pela Cúria foram sendo esvaziados. Em 2021, o ICMBio venceu uma ação que obrigou a desocupação de espaços comerciais operados por décadas pelos religiosos.
Nos bastidores, os conflitos se agravaram. O ICMBio ficou incomodado com o fechamento do parque, em outubro, para um evento privado do cantor Michel Teló, autorizado pela Igreja.
Técnicos do órgão também denunciam a construção de uma segunda capela em área pública. Já o Iphan notificou a Arquidiocese por irregularidades, como um andaime que obstruía a vista e um pedestal que feriu um turista chileno.
A Igreja, por outro lado, reclama de “problemas crônicos” na infraestrutura, como banheiros interditados há três anos, falhas nos elevadores e ausência de sinal de celular.
Também critica a diferença entre o cuidado com o monumento e o abandono da área pública no entorno. Para a Cúria, isso reforça a necessidade de “um novo arranjo institucional”.
A estátua é administrada pela Igreja, enquanto a área ao redor pertence à União. De acordo com a reportagem, a bilheteria do ponto turístico movimenta valores expressivos: no ano passado, R$ 137 milhões foram destinados a concessionárias de transporte; R$ 40 milhões, à União; e R$ 11,4 milhões, à Arquidiocese. No total, o local recebeu 4,6 milhões de visitantes em 2023, com ingressos a cerca de R$ 120.
A morte de um turista por infarto, em março, reacendeu o debate e teve repercussão política. Um projeto de lei do PL propõe transferir o Alto do Corcovado da União para a Igreja. Para críticos, como o deputado Carlos Minc, isso representaria a “privatização do parque”. Em meio à controvérsia, a ministra Marina Silva anunciou R$ 75 milhões em investimentos e disse buscar diálogo com os religiosos.
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