Política

CV determinou trégua de crimes para reunião de G20 no Rio, diz PF

Ricardo Stuckert/Presidência da República
Cúpula do CV determinou pausa em atividades criminosas por sete dias em razão do G20 no Rio de Janeiro.  |   Bnews - Divulgação Ricardo Stuckert/Presidência da República
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 18/05/2025, às 13h00



A cúpula do Comando Vermelho determinou que a facção “segurasse sete dias sem guerras e roubo” por conta de uma reunião do G20 no Rio, em fevereiro do ano passado. A ordem foi descoberta pela Polícia Federal em mensagens do traficante Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho, interceptadas com autorização da Justiça.

Naldinho está preso na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho (Bangu 3), no Complexo de Gericinó, integra o Conselho Permanente do CV — órgão formado por uma dezena de chefes do tráfico presos em Bangu, que tem a palavra final sobre decisões do grupo no Rio — e, segundo a PF, atua como uma espécie de relações-públicas da facção.

No comunicado enviado a um comparsa, o criminoso ainda escreveu que “um representante das autoridades no Rio” havia procurado um integrante da facção para pedir o período de trégua. A investigação da PF, no entanto, não identificou a autoridade citada no texto.

Boa tarde a todos os meus irmãos. Hoje, um representante das autoridades no Rio encontrou o irmão que é sintonia e pediu para nós segurarmos sete dias sem guerras e roubos devido ao G20 (são representantes de 20 diferentes). Para evitar isolamentos de irmãos que venham a ter ligação com determinada área. Todos estamos de acordo em segurar esses sete dias até porque se veio no diálogo, eles encontraram um respeito por nós países”, escreveu Naldinho no “salve” (comunicado aos membros da facção) enviado no dia 22 de fevereiro e obtido com exclusividade pelo Globo.

Naquele mesmo dia, ministros das Relações Exteriores de todos os países do G20 se reuniram em Marina da Glória para as primeiras reuniões ministeriais do grupo sob a presidência do Brasil. 

A mensagem integra um relatório da PF que expõe a atuação de Naldinho, condenado por tráfico e homicídio a mais de 50 anos de prisão e apontado como chefe de favelas em várias cidades do Sul Fluminense, como porta-voz do CV, responsável por levar as ordens do topo até a base da facção.

Em “salvas” enviadas aos aliados fora da cadeia, o criminoso arbitra disputas entre donos de bocas de fumo, comunica suas comparações sobre alianças com outras facções e até organiza rifas em que os prêmios são fuzis.

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