Política
por Henrique Brinco
Publicado em 24/10/2026, às 01h44 - Atualizado às 01h46
O ex-ministro da Cidadania João Roma rebateu, em conversa com o BNews, a checagem do Fato ou Fake, do Grupo Globo, sobre a declaração de Flávio Bolsonaro (PL) a respeito do pagamento de R$ 600 do Bolsa Família durante o governo de Jair Bolsonaro. Roma, que comandou a pasta responsável pela política de assistência social na gestão do ex-presidente, afirmou que a ampliação do benefício foi articulada pelo governo e contou com sua participação direta.
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Para ele, a participação do Congresso na aprovação da medida não elimina o papel do governo no reajuste. “Isso foi uma coisa arquitetada pelo governo. Articulada no Senado em dois turnos. Participei inteiramente do processo. Se for esse o critério, Lula também não criou nada. Os programas sociais não foi ele que criou, porque tudo foi fruto de PEC”, declarou Roma ao BNews.
A manifestação ocorreu após o Fato ou Fake classificar como “#NãoÉBemAssim” a afirmação de Flávio, feita durante o debate da TV Globo na sexta-feira (23), de que Jair Bolsonaro foi responsável por garantir o pagamento mínimo de R$ 600 às famílias beneficiárias.
A checagem apontou que o valor de R$ 600 foi estabelecido em 2022 por meio da Emenda Constitucional 123, aprovada e promulgada pelo Congresso Nacional. A medida autorizou um adicional de R$ 200 entre agosto e dezembro daquele ano. Por se tratar de uma emenda constitucional, o texto não dependia de sanção presidencial.
Antes disso, o governo Bolsonaro havia elevado o benefício mínimo para R$ 400. A mudança começou com a Medida Provisória 1.076/2021, editada pelo então presidente, e posteriormente foi convertida em lei. Naquele período, o programa passou a se chamar Auxílio Brasil, substituindo o Bolsa Família.
Roma, que esteve à frente do Ministério da Cidadania durante a implementação do Auxílio Brasil, defendeu a atuação da gestão Bolsonaro e sustentou que o aumento para R$ 600 representou uma ampliação relevante dos recursos destinados aos beneficiários.
O ex-ministro também aproveitou a discussão para criticar a política de reajustes do governo Lula. Segundo Roma, a ampliação promovida em 2022 foi a última vez que houve um aumento expressivo no valor de um programa social.
“A gente reimplantou com o Auxílio Brasil de R$ 400 e depois conseguimos ampliar o valor para R$ 600. Foi a última vez que foi dado um aumento consistente a um programa social. Lula passou anos aí sem um reajuste. Foi dar agora, disse que não lembrava e ainda deu esporro nos ministros”, afirmou.
Em setembro de 2026, o governo Lula anunciou uma atualização de 15,04% no valor do Bolsa Família, elevando o piso mensal de R$ 600 para R$ 691, com pagamentos iniciados em 19 de outubro. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a correção recompõe a inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.
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