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Decreto publicado por Rui Costa prejudicou servidores e beneficiou Banco Master

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Ação do então governador proibiu portabilidade do crédito  |   Bnews - Divulgação BNEWS
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por Redação

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Publicado em 13/02/2026, às 11h20



Um decreto publicado pelo então governador Rui Costa (PT) no dia de 13 de janeiro de 2022 proíbe servidores da Bahia com empréstimos consignados no programa Credcesta de fazer a portabilidade do crédito para obter taxas mais baixas junto a outras instituições.

A portabilidade de crédito é um direito do consumidor e acontece quando um novo banco quita o saldo devedor com a instituição original e assume a dívida, permitindo redução de parcelas e juros. Porém, como a medida ainda está em vigor, se trata de um benefício que os funcionários públicos baianos não podem usufruir. 

O decreto proibiu a portabilidade de crédito específicamente para os contratos do Credcesta — que consomem 30% da margem do servidor. E também os créditos concedidos por intermédio de associações e sindicatos. Os demais empréstimos consignados — crédito puro, com concorrência livre, o direito à portabilidade foi mantido.

Conforme matéria publicada pela Mariana Barbosa do portal Uol, o decreto reforçou a exclusividade do Banco Master, então operador do Credcesta, e foi publicado em um momento em que servidores superendividados começaram a questionar os contratos na Justiça.

De acordo com a publicação, foi por meio de um outro decreto estadual — quando o Credicesta já havia sido privatizado — que o programa deixou de ser um benefício restrito a compras em uma rede de supermercados estatal e se transformou em um lucrativo cartão de crédito consignado. 

Assim, o Credcesta foi o primeiro grande negócio que alavancou o banco de Daniel Vorcaro: garantia altas taxas de juros de rotativo de cartão, em torno de 6% ao mês, baixo risco (pelo desconto na folha), e ausência de concorrentes (com exclusividade de 30% da margem por um período de 15 anos).

Em 2021, a Associação dos Funcionários Públicos do Estado da Bahia (Afpeb) entrou com um mandado de segurança coletivo pedindo o fim da exclusividade para o operador do Credcesta. O pedido foi negado, com a Justiça acolhendo os argumentos do governo do Estado e do Master.

A mesma associação já havia entrado em 2020 com outra ação coletiva sob o argumento de que a exclusividade fere resolução do Banco Central e o Código de Defesa do Consumidor.

RELAÇÃO COM O MASTER

A relação do Banco Master com a Credcesta começa a se desenhar quando Rui Costa decidiu privatizar a Ebal, a dona da rede Cesta do Povo, em 2018. Era a terceira vez que o governo tentava privatizar a Ebal, e o governo reduziu o valor de venda, de R$ 81 milhões para R$ 15 milhões, e assumiu as dívidas, que beiravam R$ 600 milhões. Mesmo assim, só houve uma única proposta: um investidor espanhol com uma empresa chamada NGV. 

Foi depois que ele já tinha vencido o leilão, cerca de uma semana depois, que o Credcesta se transformou, por decreto, em um grande negócio: o detentor do contrato estava livre para oferecer cartão de crédito e outros serviços financeiros e teria 15 anos de exclusividade, mantendo a margem de 30%. O espanhol saiu de cena e o dono do contrato passou a ser de Augusto Lima, por meio da PKL One, em convênio com a NGV.

Ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master, Lima dirigia, na época, duas associações de servidores que já atuavam oferecendo crédito consignado, a Asteba e a Asseba. Ambas foram citadas na operação Compliance Zero, que investiga fraudes na venda de carteira de consignado do Master para o BRB.

É com o contrato do Credcesta que Lima se torna banqueiro, se associando a Daniel Vorcaro, em 2018.

Lima e Vorcaro foram presos, e dias depois soltos, na Compliance Zero, deflagrada no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação do banco, em 18 de novembro.

"FANTASIA"

Rui Costa classificou como “fantasia” as declarações de políticos opositores relacionados ao PT da Bahia com o Banco Master. A declaração do político ocorreu na chegada do político ao Campo Grande, para acompanhar a abertura do Carnaval.

“Nós vivemos um mundo da realidade virtual com a vida real. Infelizmente nós temos que conflitar entre os momentos que vivemos aqui, pé no chão, com os da fantasia e mentira que eles reproduzem nas redes”, disse Rui.

Ele afirmou ainda que a única coisa que o governo do Estado fez foi vender um Mercado que estava falido e custava R$200 milhões aos bolsos dos contribuintes. Rui descartou ainda qualquer irregularidade e ressaltou a legalidade da venda.

Classificação Indicativa: Livre

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