Política

Deputada do MDB, alvo de operação da PF, terá que usar tornozeleira eletrônica

Reprodução/TV Globo
De acordo com a PF, Gorete “atuava na articulação política e operacional das associações fraudulentas”  |   Bnews - Divulgação Reprodução/TV Globo
Rebeca Santos

por Rebeca Santos

Publicado em 18/03/2026, às 09h21



A deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE) virou alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF). O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que ela deve usar tornozeleira eletrônica para monitoramento, na última terça-feira (17).

: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

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A medida faz parte da Operação Indébito, que é um desdobramento da Operação Sem Desconto, lançada ontem pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU).

A operação investiga um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Esses descontos eram feitos sem autorização dos beneficiários, por meio de associações.

A deputada não foi presa, o pedido de prisão foi negado pelo ministro, mas a PF fez buscas na casa dela e em outros endereços.

No total, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Ceará e no Distrito Federal, além de dois mandados de prisão.

De acordo com a PF, Gorete “atuava na articulação política e operacional das associações fraudulentas”.

Os investigadores dizem que a deputada usava sua influência para viabilizar acordos com o INSS, manter contato direto com autoridades e pressionar servidores para acelerar processos.

Cecília é apontada pela PF como uma das “articuladoras centrais” da suposta organização criminosa. Segundo os investigadores, ela era o elo entre os integrantes do grupo, agentes públicos e associações. A advogada pagava propina aos servidores do INSS para viabilizar o esquema, ainda segundo a PF.

Natjo Pinheiro é descrito como “líder e administrador financeiro da organização criminosa”, responsável pela gestão de operações financeiras do grupo, definição de estratégias e “pagamento sistemático de propinas”.

Ele era chamado por Cecília de “ADM” e usou, segundo a PF, pelo menos cinco empresas de fachada, inclusive um laboratório e uma clínica de saúde, para lavar o dinheiro desviado do INSS.

Em uma conversa interceptada, Natjo reclama que estava ficando sem dinheiro e que a deputada queria se apossar de uma entidade envolvida no caso do INSS.

“Estou ficando sem grana. A Gorete quer ficar com 70% da entidade”, diz. Em outras conversas, ele afirma que ela estaria “ganhando 1,5 milhão” e seria “mais legítimo” repassar recursos à deputada por meio de escritórios de advocacia, com o objetivo de “preservar as coisas”.

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