Política

Deputada federal condena aumento da passagem de ônibus aplicado por Prefeitura e dispara: “Inimigos”

Fernando Frazão / Agência Brasil
Deputada Sâmia Bomfim critica o aumento da passagem de ônibus em São Paulo e defende a implementação da tarifa zero  |   Bnews - Divulgação Fernando Frazão / Agência Brasil
Cauan Borges

por Cauan Borges

cauan.borges@bnews.com.br

Publicado em 16/01/2026, às 13h36 - Atualizado às 14h57



A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) utilizou as redes sociais, nesta sexta-feira (16), para criticar o reajuste da tarifa de ônibus anunciado pela Prefeitura de São Paulo, administrada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). Na publicação, a parlamentar classificou a medida como injusta e voltou a defender a adoção da tarifa zero no transporte público.

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Segundo Sâmia, o aumento recorrente das passagens não se reflete em melhorias no serviço prestado à população. Para a deputada, o reajuste é uma forma de os governos transferirem aos usuários parte do financiamento do sistema, mesmo com a existência de subsídios públicos pagos às empresas por passageiros transportados. 

“Por que todo ano a tarifa sobe, mas o transporte público segue péssimo? O aumento da tarifa do transporte público é só uma forma dos governos de dividirem a responsabilidade de financiamento do sistema com os usuários, pois além da tarifa, os estados e municípios repassam um valor por passageiro para as empresas. Ou seja, além de embolsar o seu dinheiro, as empresas também recebem um valor dos governos por cada vez que você passa por uma catraca”, disparou a deputada.

A parlamentar argumentou que o lucro das concessionárias não depende apenas do valor da tarifa, mas principalmente dos subsídios estatais, enquanto empresas públicas como o Metrô e a CPTM enfrentam sucateamento, falta de investimentos e de infraestrutura.

Na publicação, a deputada também criticou a atuação de concessionárias privadas e afirmou que a gratuidade no transporte seria viável em São Paulo caso não houvesse intermediários privados “capturando” recursos públicos. 

Sâmia citou ainda a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 25/23, apresentada pela deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), que propõe a criação do chamado “SUS dos Transportes”, com financiamento compartilhado entre municípios, estados e governo federal, reconhecendo o transporte como um direito público e universal. 

Ao final, classificou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes como “inimigos de São Paulo”.

Confira:

Reajuste

O reajuste da tarifa de ônibus na capital paulista entrou em vigor no dia 6 de janeiro de 2026, com aumento de R$ 0,30, elevando o valor da passagem de R$ 5,00 para R$ 5,30. A correção de 6% foi definida em reunião na sede da Prefeitura, com a participação de secretários responsáveis pelas áreas de transporte, mobilidade e orçamento.

O aumento ficou acima da inflação acumulada nos últimos 12 meses, que atingiu 4,5% até novembro, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE. As tarifas de trens e do Metrô também foram reajustadas, passando de R$ 5,20 para R$ 5,40, conforme decisão do governo do Estado.

Em nota, a gestão Ricardo Nunes afirmou que o reajuste ficou abaixo do IPC-Fipe Transporte, que acumulou alta de 6,5% nos últimos 12 meses. A Prefeitura também destacou que, durante a atual administração, a tarifa permaneceu congelada em R$ 4,40 por cinco anos e que, entre 2020 e 2025, houve apenas um reajuste, de 13,6%, enquanto a inflação no período foi de 40,31%, segundo o IPCA.

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