Política
por Carolina Papa e Humberto Sampaio
Publicado em 25/02/2025, às 16h11 - Atualizado às 17h21
O deputado federal Ottoni de Paula (MDB-RJ), candidato ao comando da Bancada Evangélica, rebateu a fala de Jair Bolsonaro (PL) sobre a disputa pela liderança do bloco. O parlamentar descartou a tese de traição levantada pelo ex-presidente e afirmou que não pode ser "submisso" ao ex-chefe do Executivo.
“Eu continuo defendendo os mesmos princípios e os mesmos valores. Continuo, além de cristão e de pastor, que sou há 30 anos pelas Assembleias de Deus, continuo um deputado de direita e conservador. Talvez a traição que o presidente esteja falando, e olha que eu respeito muito o presidente Bolsonaro, seja uma traição àquilo que eu me negarei fazer sempre, a ser um subserviente do bolsonarismo. Eu não sou. Eu sempre fui um aliado crítico. Para isso e para ter essa independência, nunca quis ter cargo do governo Bolsonaro e nem tampouco ser do partido do presidente Bolsonaro. Nunca fui [...] para ter autonomia”, disse Ottoni, nesta terça-feira (25), em entrevista ao BNews.
Na Câmara, o deputado destaca que, mesmo com a declaração de Jair Bolsonaro, ele continua mantendo “o respeito” pelo ex-presidente e aponta que o ex-mandatário deve estar “‘inflamado’ por alguém que não deseja o seu fortalecimento político no Rio de Janeiro”, em referência a Silas Malafaia, seu opositor.
“Eu continuo mantendo o meu respeito pelo presidente Bolsonaro. Sei que ele está sendo ‘inflamado’ por alguém que não deseja o meu fortalecimento político lá no estado do Rio de Janeiro. Não sei se o pastor Silas Malafaia, que é meu opositor aqui nessa minha candidatura, candidatura tem aí conversado com o presidente Bolsonaro e resolveu pedir para Bolsonaro me ter como adversário”, pontuou
“A partir dessa fala de Bolsonaro, eu entro em campo com aquele time que não tem obrigação mais nenhuma de ganhar. [...] Se eu perder, eu perdi porque Bolsonaro se levantou contra mim. Agora, se eu ganhar, eu não quero a frente parlamentar evangélica, nem um puxadinho do bolsonarismo e nem subserviente a Lula. [...] Eu quero uma frente que possa dialogar politicamente com o presidente da República, seja ele quem for, sem abrir mão dos seus princípios e dos seus valores. Aqui não é torcida de futebol, aqui é política. E política se faz com o diálogo, coisa que o bolsonarismo não tolera. Não tolera diante das luzes, mas nos bastidores que eles sabem fazer qualquer conversa”, acrescentou.
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