Política

Descontos ilegais em aposentadorias: CGU mira acordos feitos na gestão Bolsonaro

José Cruz/Agência Brasil
Investigação da CGU avança para compreender fraudes em aposentadorias, buscando identificar os responsáveis.  |   Bnews - Divulgação José Cruz/Agência Brasil

Publicado em 19/05/2025, às 11h26 - Atualizado às 13h03   Maurício Viana



As investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) avançam em uma direção que reforça a tese adotada pelo Palácio do Planalto ao tentar apontar os principais responsáveis pelo escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias: se o governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva ou o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Até o momento, foram coletados dados de 1,5 milhão de aposentados e pensionistas que solicitaram reembolso de descontos não autorizados. A CGU identificou que a maior parte das fraudes foi cometida por associações e sindicatos que assinaram acordos de cooperação com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entre 2021 e 2022 — período em que o país era governado por Bolsonaro.

A Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos (Ambec) foi a principal responsável pelas fraudes. Em 2021, a entidade tinha apenas quatro associados e, no ano seguinte, iniciou a aplicação dos descontos indevidos, subtraindo R$ 25 milhões de aposentados. Em 2024, esse valor disparou, chegando a R$ 231 milhões — quase dez vezes mais.

As informações levantadas pela CGU podem ajudar a apurar a eventual responsabilidade dos então ministros da Previdência, Onyx Lorenzoni e José Carlos Oliveira, que comandaram a pasta entre 2021 e 2022. Os descontos ilegais vêm sendo investigados desde abril pela Operação Sem Desconto.

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