Política

Desembargador causa polêmica ao dizer que "mulheres estão loucas atrás de homens"

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O caso aconteceu durante uma audiência do Tribunal de Justiça do Paraná  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Melissa Lima

por Melissa Lima

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Publicado em 04/07/2024, às 19h42



O desembargador Luís César de Paula Espíndola, do Tribunal de Justiça do Paraná, afirmou, durante uma audiência nesta quarta-feira (03), que “as mulheres estão loucas atrás de homens”. Ele já foi condenado por violência doméstica em 2023.

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A audiência julgava um caso de assédio de um professor contra uma aluna em Curitiba. Depois que a advogada da vítima fez sua defesa, o desembargador rebateu afirmando que ela fez um “discurso feminista desatualizado”.

“Se vossa excelência sair na rua hoje em dia, quem está assediando, quem está correndo atrás de homens, são as mulheres. Hoje em dia, esta é a realidade, as mulheres estão loucas atrás de homens porque são muitos poucos. É só sair a noite, eu não saio muito à noite, mas eu tenho funcionárias, tenho contato com o mundo. A mulherada está louca atrás dos homens”, disse Espíndola.

Ele ainda acrescentou dizendo que as mulheres estão “assediando homens, porque não tem homens no Brasil” e que, hoje em dia, as mulheres tem “cachorrinhos” como companhia e que estão loucas por um companheiro.

“A paquera é uma conduta que sempre existiu. A atração é uma coisa dos sexos, agora, dizer que isso é uma afronta à sexualidade, um desrespeito… Nunca foi. […] Ninguém está correndo atrás de mulher, porque está sobrando”, ressaltou o desembargador.

O vídeo da audiência estava público na página do Tribunal de Justiça do Paraná no Youtube, mas saiu do ar. A banda Terminal Guadalupe registrou o vídeo antes de ele ser apagado. 

Em nota à coluna de Guilherme Amado, do Metrópoles, o Tribunal de Justiça do Paraná disse que o vídeo foi apagado para preservar as partes envolvidas, já que “o processo tramita em segredo de Justiça".

A OAB do Paraná se posicionou através de uma nota de repúdio à fala de Espíndola, publicada nesta quinta-feira (04). A entidade disse que o posicionamento do desembargador “discriminatória e de elevado grau de desconhecimento do protocolo de julgamento com perspectiva de gênero”.

“Estatisticamente, o Paraná foi o estado com maior número de ocorrências registradas de assédio sexual no Brasil, segundo dados do Anuário de Segurança Pública do Paraná relativos a 2022. O levantamento mostrou que 1.013 mulheres fizeram boletins de ocorrência pelo crime naquele ano”, ressaltou a OAB do Paraná.

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