Política

Direto de Brasília: Ex-secretário diz que leilão de arroz foi definido pela Casa Civil, mas livra Rui Costa de culpa

Lara Curcino / BNews
Neri Geller admitiu 'equívoco político' no certame, mas afirmou que foi contra desde o começo  |   Bnews - Divulgação Lara Curcino / BNews
Lara Curcino, direto de Brasília

por Lara Curcino, direto de Brasília

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Publicado em 18/06/2024, às 16h37 - Atualizado às 16h38



Ex-secretário nacional de Política Agrícola, Neri Geller esteve na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (18) para prestar esclarecimentos sobre o leilão de arroz anulado pelo governo após suspeitas de irregularidades.

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Ao BNews, Geller admitiu que houve "equívoco político" na realização do certame e que a decisão foi tomada no âmbito da Casa Civil da Presidência da República, onde o ministro Rui Costa (PT) coordena a Sala de Situação instalada para dirigir o trabalho do governo federal na tragédia do Rio Grande do Sul. 

Apesar disso, Geller afirmou que não é possível atribuir a Rui culpa pela realização do leilão que definiu a compra de 300 mil toneladas de arroz importado.

"Houve um equívoco político na realização do leilão, que eu sempre disse nas discussões internas que precisaria ser feito com cautela, o que acabou não acontecendo. Portanto, defendo que houve erro político na decisão, mas não que foi uma medida tomada de má fé, para que fosse feito irregularmente. E foi uma decisão tomada no âmbito da Casa Civil da Presidência, porque foram discussões dentro da tragédia do Rio Grande do Sul, mas eu não estou personalizando a culpa, foi uma definição conjunta", disse ele. 

O certame em questão foi realizado em maio pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para a compra de arroz importado. A aquisição seria feita para garantir estoque e evitar a alta no preço do produto por causa das enchentes no Rio Grande do Sul, estado que é o maior produtor do grão no Brasil.

O certame, no entanto, foi anulado na última semana pelo governo, após suspeitas de que as empresas vencedoras do leilão não teriam condições de entregar o que foi acordado. 

Em meio à polêmica, Geller foi demitido. Ele admitiu que ficou insatiafeito com a forma como a demissão aconteceu e disse que foi contrário ao leilão desde o começo. 

"Não estou decepcionado com o governo, mas fiquei chateado pela forma como a demissão aconteceu. E eu deixo claro que fui demitido, não pedi demissão, porque não quis deixar o cargo como se estivesse assumindo uma culpa que não tenho [...]. Eu sempre me posicionei contrário ao leilão e não estou falando isso agora que deu errado. Desde o começo eu disse que não concordava, mas fui voto vencido", afirmou ele, em coletiva.

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