Política
por Lara Curcino, direto de Brasília, e Davi Lemos
Publicado em 07/10/2026, às 18h36
O senador Magno Malta (PL/ES) afirmou que não haverá “acordão” com o Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu que a maioria formada pela direita no Congresso seja utilizada para promover mudanças na relação entre os Poderes. Segundo o parlamentar, a prioridade será discutir o impeachment de ministros da Corte. “Mesmo assim, nós não esquecemos. Nós, no Senado, não temos acordão. Tem impeachment, mesmo”, declarou.
Em discurso de forte tom crítico ao Judiciário e ao Executivo, Malta afirmou que teria ocorrido um “conluio” entre instituições para prejudicar a população mais pobre. O senador disse que a insatisfação com questões como o preço dos combustíveis teria ampliado a percepção da população sobre a atuação dos Poderes.
“Deus mostrou. Deus abriu uma fossa para a gente olhar e mostrou todos dentro da fossa, desde o Judiciário ao Executivo. Virou um conluio só para massacrar os mais simples, os mais pobres”, afirmou.
Segundo Malta, a população estaria mais informada sobre as decisões do STF, inclusive em municípios do interior. “E o povo sabe de tudo. Você chega lá na cidade menor do meu estado, pega o indivíduo mais indouto, que nunca entrou numa escola e ele sabe o nome dos violadores do Supremo Tribunal Federal. Eles sabem o preço da gasolina, eles sabem que não podem mais andar na moto deles no interior porque não tem como colocar gasolina”, disse.
O senador também afirmou que o resultado das eleições produziu uma nova correlação de forças no Congresso. Ele classificou os parlamentares eleitos pela direita como “pitbulls” e disse que Câmara e Senado teriam maioria suficiente para promover mudanças institucionais.
“O Senado hoje tem pitbull à vontade, sem vacina e que vão cumprir o papel, que fizeram campanha assim. A Câmara Federal também: hoje nós temos uma maioria absoluta para poder fazer o reequilíbrio dos poderes no Brasil e trazer a democracia de volta, porque a democracia foi usada como arma de injustiça”, declarou.
Malta também afirmou que a direita não pretende mais discutir apenas uma anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, a intenção seria buscar a anulação dos processos relacionados aos acusados de tentativa de golpe.
“Agora eles estão fazendo um pacote de bondades. Mesmo assim, nós não esquecemos. Nós no Senado, não tem acordão. Tem impeachment, mesmo. E também nós não queremos fazer anistia, queremos anular todo esse processo. Temos maioria para isso e vamos fazer”, afirmou.
Ao final do discurso, o senador voltou a criticar os ministros do STF e afirmou que o resultado eleitoral teria dado ao Congresso uma nova responsabilidade. “O recado está dado aí para vocês, conluio de capa preta”, concluiu.
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