Política
por Humberto Sampaio, direto de Brasília, e Henrique Brinco
Publicado em 15/10/2025, às 18h47
A deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA), coordenadora da bancada baiana na Câmara dos Deputados, demonstrou preocupação com a votação, marcada para esta quinta-feira (16), dos 65 vetos do presidente Lula (PT) ao “PL da Devastação”, que flexibiliza regras de licenciamento ambiental no país.
Em entrevista ao BNews, em Brasília, nesta quarta-feira (15), a parlamentar afirmou que derrubar os vetos seria um retrocesso, especialmente no momento em que o Brasil se prepara para sediar a COP-30.
“É lamentável, porque essa flexibilização impacta o Brasil e o planeta, no momento em que nós recebemos a COP-30. Eu sou contra qualquer afrouxamento do licenciamento ambiental. Sempre defendi que ele se mantenha na esfera federal, para garantir um debate mais técnico e menos sujeito a pressões locais”, disse Lídice.
A deputada também avaliou que a imagem do Congresso pode sair ainda mais arranhada caso os vetos sejam derrubados. “Claro que isso agrada alguns segmentos poderosos economicamente, principalmente ligados à terra e ao capital imobiliário. Mas é o tipo de decisão que compromete o futuro do país”, criticou.
A baiana ampliou suas críticas ao citar denúncias recentes sobre a intenção da Prefeitura de Salvador de alterar o gabarito da orla para permitir a construção de prédios altos. Para ela, a medida representa “um grave erro urbanístico e ambiental” e segue a mesma lógica de ocupação desordenada que já causou problemas em outras capitais.
“Estamos importando aquilo que deu errado. Salvador tem um potencial turístico enorme, mas o turismo também causa impactos ambientais. O Estado e a sociedade precisam impor limites, porque o capital não tem limite”, declarou.
A socialista afirmou ainda que as mudanças urbanísticas em curso em Salvador ameaçam a identidade da cidade. “Não me venham acabar com o Elevador Lacerda. Ele é um ícone da Bahia, um símbolo de inovação tecnológica e transporte coletivo. Modificá-lo seria como mudar a Torre Eiffel”, disse.
Para Lídice, é fundamental equilibrar o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental. “A cidade tem que ser boa para o turista e para quem vive nela. Precisamos preservar nossos espaços verdes e o litoral, mantendo limites ao avanço do capital imobiliário”, concluiu.
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