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Eleições em Portugal viram laboratório para o Brasil combater desinformação

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Colaboração com universidades visa desenvolver estudos comparativos sobre comunicação pública entre Brasil e Portugal.  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 12/10/2025, às 09h55 - Atualizado às 09h55



Um grupo de brasileiros está em Portugal desde a última sexta-feira (10) para acompanhar as eleições autárquicas, que acontecem neste domingo (12). A comitiva é liderada pelo Conselho Nacional de Secretarias Estaduais de Comunicação (CNSECOM), que reúne os 27 secretários dos estados e do Distrito Federal e tem uma prioridade: voltar ao Brasil com soluções que ajudem governos estaduais e prefeituras a enfrentar desinformação, fortalecer a confiança e melhorar a prestação de serviços

O vice-presidente do CNSECOM e secretário de Comunicação de Alagoas, Wendel Palhares, disse que o objetivo é observar as eleições em Portugal para melhorar o "ecossistema que sustenta a democracia.”

“Comunicação pública é tecnologia de confiança. Observar as eleições em Portugal é aprender, na prática, como Estado, universidades e imprensa organizam respostas a boatos, moderam o debate e entregam informação útil ao cidadão — sem discutir a urna, mas o ecossistema que sustenta a democracia.”

A iniciativa faz parte da preparação para o I Summit de Comunicação Pública Lisboa–Brasil, que vai acontecer nos dias 13 e 14 de novembro, na Universidade de Lisboa. O encontro é o primeiro de quatro seminários internacionais CNSECOM–ISCSP sobre políticas de comunicação na Europa e no Brasil e sobre os desafios subnacionais para uma comunicação pública democrática. 

O CNSECOM deve visitar locais de votação e reuniões técnicas para entender fluxos de informação em dia de pleito para observar como são estruturadas as salas de monitoramento, quais protocolos acionam quando um rumor viraliza, que métricas digitais importam, como se mede alcance e efetividade de mensagens de serviço (mobilidade, filas, horários, documentos). 

“Queremos procedimentos reaplicáveis: checklists, painéis, rotinas de checagem, formatos de aviso que reduzam ruído e custem pouco aos cofres públicos”, diz Palhares.

Um dos focos é a interlocução com universidades. A delegação atua de forma conjunta com  pesquisadores do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP/ULisboa) para desenhar estudos comparativos. 

“Sistemas são diferentes — Portugal unitário, Brasil federativo —, mas os padrões de comportamento eleitoral e de circulação de desinformação dialogam”, afirma a doutora em ciência política e diretora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas, Luciana Santana.

“A academia entra com método: mapeia narrativas, identifica atores, mede impacto e oferece evidência para a decisão do gestor”, acrescentou. 

Na prática, o CNSECOM pretende transformar a observação protocolos que sirvam para elaborar guias de linguagem clara para avisos oficiais; matrizes de risco para temas sensíveis (migração, segurança, saúde); e arranjos de governança que conectem secretarias, defensorias, ministérios públicos e imprensa local. 

“Esclarecer não é simplificar: é organizar problemas complexos com dados, ouvir a academia e entregar políticas comunicacionais previsíveis”, diz Palhares. 

A missão olha também diferenças regulatórias que afetam o ambiente de campanha — como o uso de outdoors e a centralidade dos partidos em Portugal — para extrair lições de desenho institucional. 

“Importa menos copiar regras e mais entender como estruturas incentivam comportamentos: quem responde, em quanto tempo, com que evidências e por quais canais”, resume Luciana.

Classificação Indicativa: Livre

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