Política

Entidades da Polícia Civil repudiam fala de Lula sobre população "ter medo" de políciais

Ricardo Stuckert / PR
SINDPOC e Adepol reclamaram que fala de Lula distorceu a atividade dos policiais civis  |   Bnews - Divulgação Ricardo Stuckert / PR
Héber Araújo

por Héber Araújo

Publicado em 15/06/2026, às 17h50



Entidades e associações de policiais civis publicaram notas de repúdio a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobre a população temer ir na delegacia por não saberem o “tipo de policial” q que vão encontrar. A declaração do petista ocorreu na última quarta-feira (10), durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável.

No momento em que fez o comentário, Lula falava sobre o plano do governo federal de estimular a entrega de celulares roubados em delegacias. A proposta prevê que os aparelhos com registro de roubo recebam notificações para que os usuários saibam que o aparelho é de origem ilícita. Segundo o petista, as pessoas irão preferir entregar os celulares em agências dos Correios.

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“A dúvida é que eu não quero devolver na delegacia, eu quero devolver no correio. Na delegacia, as pessoas têm até medo, porque não sabem o tipo de delegado que vão encontrar ou o tipo de policial. Então, vamos tentar no correio”, disse Lula.

Após a declaração do presidente, entidades como o Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (SINDPOC) também manifestou, apontando que a fala do presidente distorce a atividade policial e ignora o papel constitucional da polícia.

“A Polícia Civil não pode ser reduzida a narrativas simplistas ou a interpretações que desmereçam sua importância para a segurança pública. As delegacias de polícia representam a porta de entrada da Justiça Criminal, sendo o local onde vítimas são acolhidas, crimes são investigados e elementos de prova são produzidos para garantir a responsabilização de quem viola a lei”, disse o Sindpoc.

“É inadmissível que declarações oriundas da mais alta autoridade da República contribuam para a disseminação de percepções equivocadas sobre instituições fundamentais ao Estado Democrático de Direito. O fortalecimento da segurança pública exige respeito às instituições policiais e valorização de seus profissionais, e não discursos que promovam sua deslegitimação perante a sociedade”, completou.

A Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol), também se manifestou em publicação nas redes sociais. Segundo a nota, a entidade apontou que a fala propaga uma desconfiança contra as delegacias e os profissionais que trabalham nela. 

“As Delegacias de Polícia constituem portas permanentes de acesso da população ao sistema de justiça criminal, funcionando ininterruptamente em inúmeras localidades do país e prestando atendimento direto à sociedade em situações de elevada complexidade e vulnerabilidade. Milhares de profissionais das Polícias Civis exercem suas funções diariamente com dedicação, responsabilidade e observância dos deveres legais inerentes ao serviço público [...] Nesse contexto, a ADEPOL DO BRASIL considera inadequada, injusta e descontextualizada qualquer generalização que possa comprometer a confiança da população nas instituições policiais”, diz o comunicado.

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