Política

Erika Hilton comenta possibilidade de ser presidente do Brasil: “O tempo vai dizer”

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A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) abordou, nesta quarta-feira (21), os questionamentos sobre uma eventual candidatura à presidência da República  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Heber Araújo / BNews
Leonardo Oliveira e Héber Araújo

por Leonardo Oliveira e Héber Araújo

Publicado em 21/10/2026, às 21h29



A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) abordou, nesta quarta-feira (21), os constantes pedidos e questionamentos sobre uma eventual candidatura à presidência da República. A declaração foi dada durante entrevista à imprensa no evento “Samba da Democracia”, realizado na sede do PT Bahia, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador.

A parlamentar destacou que acha a repercussão em torno do seu nome "muito curiosa", visto que o Brasil ainda é um país "extremamente LGBTfóbico" e "profundamente racista". Erika Hilton ressaltou a dificuldade de ocupar o parlamento "sendo mulher, sendo preta, sendo travesti", locais onde a sua presença é tratada com hostilidade e violência. 

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Apesar do cenário adverso, a deputada relatou que o apelo ecoa não apenas na imprensa, mas também em multidões durante atos políticos pelo país afora, a exemplo das campanhas no segundo turno pela reeleição do presidente Lula.

"Eu não vou dizer da minha vontade, porque eu não pensei ainda sobre isso. Eu não tenho idade ainda nem pra ser candidata a presidenta do Brasil e quando eu penso no que foi o processo com a presidenta Dilma, eu fico: 'meu Deus, o que será de mim'”, explicou.

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Para Erika, no entanto, a concretização da candidatura é secundária diante do simbolismo da pauta. Ela enfatizou que o Brasil é um país que mata mulheres como ela com "requintes de crueldade" e lhes nega acesso básico à escolaridade, família, afeto e mercado de trabalho. 

“Quando eu vejo esse país ser questionado, se perguntar para uma mulher como eu se eu tenho vontade, se eu tenho desejo, ou estas vozes de maneira voluntária gritarem 'presidenta, presidenta', eu acho que o mais importante não é se eu serei ou se uma como eu será, porque isso é importante, mas é secundário diante da possibilidade de devolver o sonho, a esperança para as pessoas”, disse.

"A gente começa a reconstruir um processo imaginário, a devolver no imaginário social uma figura preta, travesti, vinda da rua, expulsa de casa, no lugar de presidenta. Isso é mais importante pra mim nesse momento do que o fato se eu vou ser, se eu não vou ser, se vou, isso daí o tempo vai dizer", avaliou a deputada. 

A deputada celebrou o fato de ver os olhos de sua comunidade "brilharem de esperança" e de ver que a população marginalizada pode deixar de ser retratada apenas nas manchetes policiais. 

"Eu estimulo essas vontades porque o sonho também é um privilégio. Poder sonhar também é um privilégio, e nós, durante muitos anos, não tivemos esse privilégio. E parece que estamos conseguindo retomar, ou começar um processo de retomada desse lugar. Então que a gente sonhe, que a gente se imagine em lugares que para nós eram impensáveis, porque isso impulsiona as possibilidades. E aí se chegar esse momento, quem sabe eu tô pronta”, concluiu.

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