Política

Escândalo de corrupção se agrava e Milei toma atitude para blindar a irmã envolvida no esquema

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Denúncias contra Karina Milei, protestos de rua e perdas no Congresso desgastam governo às vésperas de eleições legislativas  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Rebeca Santos

por Rebeca Santos

Publicado em 30/08/2025, às 08h41



O governo do presidente argentino Javier Milei atravessa a fase mais conturbada desde a posse, em dezembro de 2023. Áudios que ligam sua irmã, Karina Milei, a um suposto esquema de propinas espalharam desconfiança na política, nas ruas e nos mercados, em meio à queda de popularidade do presidente e de acirramento eleitoral.

"O problema... Karina ainda não teve confusão. Porque as pessoas não gostam dela. Mas, além disso, tem um... tipo... um cheiro podre em volta dela", afirma uma voz atribuída a Diego Spagnuolo, ex-diretor da Agência Nacional de Deficiência (Andis), no áudio divulgado pela emissora A24.

Em uma gravação anterior, Spagnuolo revela que Karina recebeu suborno, ao embolsar parte das compras da Andis junto à drogaria Suizo Argentina, que distribui os medicamentos para pessoas com deficiência.

 “A Karina recebe 3%, e 1% vai na operação”, diz Spagnuolo, que garante ter avisado o presidente sobre o suposto esquema da irmã.

O nome de Javier Milei aparece em um terceiro áudio. Também atribuído a Spagnuolo, ele indicou um encontro entre o então diretor da Andis e o presidente da Argentina.

 "Estive com Javier no domingo, entre a ópera e o almoço que tivemos depois. O telefone dele nunca toca! Ele é o presidente, e o telefone dele nunca toca. Javier não delega: ele ignora. O telefone dele nunca toca em três horas", afirma Spagnuolo na gravação. 

Doutora em ciência política e professora da UBA e da Universidade Nacional do Litoral (em Santa Fé), Fanny Maidana disse ao Correio que o governo Milei desenvolveu claramente a estratégia de proteção de Karina.

 "Não acredito que Milei cederá e deixará de apoiar a irmã. Ela está muito bem cegada. Inclusive, Menem deu declarações e se expôs", comentou. "Houve um incidente com ela na província de Corrientes, que escolherá o novo governador neste fim de semana. Karina não pôde sair às ruas para a campanha e teve que deixar o local. Mas, ainda não sabemos se o escândalo surtirá forte impacto nas eleições legislativas de 26 de outubro. O kirchnerismo e o 'mileismo' prezam pela estratégia de polarização permanente."

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