Política

Escolha de Alfredo Gaspar para vice de Flávio Bolsonaro expõe contradições do PL na busca pelo eleitorado feminino

Divulgação / @FlavioBolsonaro
Candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro anunciou o vice na quarta-feira (6)  |   Bnews - Divulgação Divulgação / @FlavioBolsonaro
Carolina Papa

por Carolina Papa

carolina.papa@bnews.com.br

Publicado em 06/08/2026, às 18h56



O nome do deputado Alfredo Gaspar como vice para a chapa de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto esbarra em algumas das principais estratégias de campanha do filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro: a tentativa de ampliar o diálogo com o eleitorado feminino e projetar uma imagem de protagonismo das mulheres na disputa eleitoral. 

Flávio por diversas vezes sinalizou que a ideia era que o seu vice-presidente fosse uma mulher, o que no final ocorreu no sentido contrário. A ex-ministra do governo Bolsonaro, Tereza Cristina, chegou a ser anunciada para o cargo, mas a articulação foi vetada horas depois pelo Progressistas 

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Diante do cenário de isolamento, Flávio precisou recorrer ao próprio Partido Liberal (PL), que em 2024 ocupou a 5ª posição como a legenda que mais elegeu prefeitas mulheres no Brasil. Entre os nomes ventilados para a nova empreitada estava Priscila Costa, vereadora mais votada no Nordeste e presidente do PL Mulher do Ceará. 

Priscila chegou a ser consultada pela campanha do senador para a vaga horas antes do anúncio oficial, mas sem convite formal. Por sua vez, ela teria dado sinal positivo, mas foi, novamente, escanteada nas articulações. O movimento de alçar Priscila à vice-presidência chegou a ser considerado pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, como uma “bobagem”. 

Pivô da crise entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Priscila Costa tinha a candidatura ao Senado defendida por Michelle, mas com a saída da esposa de Bolsonaro da presidência do PL Mulher, perdeu força e migrou sua candidatura para a Câmara dos Deputados. 

O nome de Alfredo Gaspar acumula polêmicas, inclusive envolvendo mulheres. O deputado federal foi acusado de estupro contra uma jovem de 13 anos por governistas. O parlamentar nega as acusações. 

Na convenção nacional do PL em São Paulo, o pedido para que as mulheres caminhassem ao lado de Flávio Bolsonaro nas eleições ficou ainda claro com um pedido feito pela própria Michelle, uma vez que o eleitorado feminino representa 52% dos votantes no Brasil. 

O Partido Liberal contrasta o discurso com a realidade ao ter, em sua maioria, candidaturas masculinas nas principais composições políticas nos maiores colégios eleitorais do Brasil: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. 

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