Política
Publicado em 25/05/2025, às 14h43 Rebeca Santos
Em discurso durante o show do padre Fábio de Melo em Carmo do Rio Claro (MG), o prefeito Filipe Carielo (PSD) afirmou que sua gestão tem como meta, nos próximos quatro anos, promover eventos voltados ao público cristão.
O cachê do religioso, de R$ 280 mil, chamou atenção: o valor corresponde à metade do repasse recebido pelo principal hospital da cidade em março deste ano.
Um levantamento do Globo revela que, entre junho de 2024 e o último fim de semana, pelo menos 38 municípios em 16 estados destinaram recursos públicos a eventos religiosos, totalizando mais de R$ 13,8 milhões.
Desse montante, 27 celebrações foram evangélicas, 13 católicas e uma cristã sem denominação específica.
Apesar de não haver legislação federal que proíba o uso de verbas públicas para esse fim, a prática — muitas vezes justificada pela inexigibilidade de licitação — tem sido alvo de questionamentos. Tribunais de Contas estaduais e o Ministério Público apontam falta de transparência nesses gastos.
No Rio de Janeiro, o TCE-RJ já multou gestores por repasses a eventos religiosos, como o caso do ex-prefeito de Teresópolis, Jorge Mario, penalizado em 2013 por destinar R$ 119 mil à Marcha Para Jesus em 2010.
No último sábado (25), uma nova edição do evento recebeu R$ 1,9 milhão da Prefeitura do Rio. Outros dois projetos financiados recentemente foram a Expo Cristã (R$ 3 milhões) e o "Cariocão: Desbravando o Rio", da Igreja Adventista.
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