Política

Ex-assessora de Flávio Bolsonaro e mãe de ex-capitão do Bope recebeu dinheiro de spa de sobrancelhas usado para lavar dinheiro

Agência Brasil/Reprodução
Raimunda trabalhou como assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre 2016 e 2018  |   Bnews - Divulgação Agência Brasil/Reprodução
Rebeca Santos

por Rebeca Santos

Publicado em 21/03/2026, às 11h38



A mãe do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega entrou na investigação do Ministério Público do Rio por um caminho inesperado: um salão de estética para sobrancelhas.

De acordo com os promotores, a empresa S. C. da Silva Estética Pessoal era usada para lavar dinheiro do grupo criminoso e para movimentar valores vindos de atividades ilegais.

Foi dessa empresa que saíram R$ 38,4 mil para o Restaurante e Pizzaria Rio Cap Ltda., que pertence a Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano.

Para o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado do MPRJ, essa transferência mostra que empresas legais eram usadas para esconder o caminho do dinheiro.

Raimunda trabalhou como assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre 2016 e 2018, quando ele era deputado estadual.

O salão de sobrancelhas aparece como peça importante nesse esquema financeiro. Os investigadores dizem que a empresa era ligada a Shirlei Costa da Silva, irmã de Márcio Carneiro, que seria o operador financeiro do grupo de Adriano.

A conta do salão movimentou R$ 1,91 milhão em apenas seis meses (de julho a dezembro de 2018), e R$ 1,61 milhão desse valor saiu em saques em dinheiro, muitos deles fracionados. Para os promotores, esse jeito de movimentar o dinheiro é típico de lavagem de dinheiro.

O Gaeco, junto com a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI), lançou a Operação Legado.

A ação cumpriu dois mandados de prisão e 19 de busca e apreensão contra membros da organização criminosa e pessoas responsáveis pela lavagem de dinheiro.

Entre os denunciados pelo MPRJ está o deputado federal Rogério Teixeira Júnior, conhecido como Juninho do Pneu. Ele foi acusado de lavagem de dinheiro por ter comprado, segundo os investigadores, um imóvel rural que era de Adriano, morto em 2020 na Bahia, por meio da viúva Julia Lotufo.

O fluxo de dinheiro que Raimunda aparece como figura central na acusação. Segundo o Ministério Público, ela e Tatiana Soares Dias usaram as contas da pizzaria para esconder e disfarçar valores ligados, direta ou indiretamente, ao grupo.

Entre 2014 e 2019, a conta da pizzaria recebeu R$ 271,1 mil, sendo R$ 160,3 mil vindos de 89 depósitos feitos no Rio. Desses, 59 foram em dinheiro vivo, totalizando R$ 103,1 mil.

Os promotores também destacam que a pizzaria recebeu R$ 46,5 mil da ME RJ Importação e Distribuição Eireli, em mais uma movimentação que não combina com o que um pequeno restaurante costuma fazer.

A investigação menciona ainda transferências diretas para Raimunda: R$ 4 mil da Emporiun Auto Car Eireli (Vitrinii Motors) e mais R$ 4 mil de Rafael Machado da Rocha, sócio da empresa.

Para o Ministério Público, todas essas operações mostram que Raimunda não aparece só como mãe de Adriano, mas como sócia formal de uma empresa usada para receber, movimentar e dar cara de legal a dinheiro suspeito.

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