Política

EXCLUSIVO: Bastidores do evento de Caiado em Salvador foram marcados por tumulto, reclamações e esvaziamento de lideranças

Henrique Brinco / BNews
Evento da pré-candidatura de Caiado em Salvador teve baixa adesão de correligionários e gerou mais perguntas do que respostas sobre seu futuro político.  |   Bnews - Divulgação Henrique Brinco / BNews
Henrique Brinco

por Henrique Brinco

henrique.brinco@bnews.com.br

Publicado em 04/04/2025, às 17h32 - Atualizado às 17h54



O lançamento da pré-candidatura presidencial do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), realizado na sexta-feira (4) em Salvador, foi marcado por tumultos, reclamações e uma falta de comunicação entre os staffs de Salvador e de Goiânia. A reportagem do BNews circulou pelo evento e traz agora os bastidores da festa.

Apesar do tom apoteótico da cerimônia — com batuque em ritmo de samba-reggae, discursos inflamados e homenagens como o título de Cidadão Baiano e a Comenda 2 de Julho — o ato evidenciou uma divisão de Caiado dentro da própria legenda. A notável ausência de nomes de peso foi sentida.  O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, por exemplo, não compareceu ao evento, assim como o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, também filiado à sigla.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

Entre os ausentes de destaque, também chamaram atenção os ministros Celso Sabino (Turismo), Juscelino Filho (Comunicações) e Waldez Goés (Integração e Desenvolvimento Regional), todos ligados à base do União Brasil e nomes influentes no atual cenário político. O cantor Gusttavo Lima, que chegou a ser ventilado como atração do evento, foi outro não apareceu.

De ilustre mesmo, só o senador Sérgio Moro, a deputada Rosângela Moro e o presidente do Solidariedade Paulinho da Força - além de José Agripino e Otoni de Paula. O espaço vazio no palanque foi preenchido por deputados estaduais. Vereadores de Salvador também foram convocados para dar volume ao evento.

Com a cúpula do partido ausente, coube ao ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União, ACM Neto, o papel de principal fiador político da pré-campanha de Caiado. A ausência de apoio mais explícito de figuras nacionais é lida como sinal de que a candidatura ainda enfrenta resistência interna no União Brasil.
O salão escolhido no andar superior do Centro de Convenções também foi um dos menores do prédio - e já registrava cadeiras vazias no momento do discurso do principal convidado do dia. O evento da candidatura de ACM Neto em 2022, por exemplo, lotou o  maior salão do térreo. Também não foram vistos desta vez ônibus das caravanas com correligionários de outras partes do estado.

A cobertura da imprensa também ficou prejudicada. Havia um espaço separado para a coletiva de Caiado perto do salão onde o evento foi realizado, equipado com um backdrop plotado com a imagem do gestor. Jornalistas ficaram quase três horas posicionados no local. Quando o governador chegou, instalou-se um tumulto e ele foi levado rapidamente para uma sala separada. Muitos profissionais acabaram sendo "esmagados" entre a claque que acompanhava o cacique durante o trajeto. Caiado precisou falar com a imprensa em cima de um sofá, para ser registrado pelas câmeras. Até o prefeito Bruno Reis se irritou com os erros e deu uma baita bronca na equipe. Parte das equipes de imprensa ficaram barradas no acesso ao local.

Mesmo com a mobilização de cerca de 250 prefeitos de diversos estados, o que se viu em Salvador foi mais um evento lotado de apoiadores que vieram de Goiânia e pouca gente dos demais estados (o que seria desejável em lançamentos de pré-candidaturas presidenciais).

O próprio discurso do governador, por vezes, assumiu um tom de reafirmação pessoal, evocando sua trajetória, seu legado em Goiás e o apoio da família, numa tentativa de reforçar sua solidez diante da plateia — e, talvez, dos ausentes. A escolha pela Bahia não foi à toa: é o Estado que deu a vitória ao presidente Lula na última eleição e a porta de entrada para políticos que desejam se firmar no Nordeste. O pré-candidato também prometeu correr atrás de votos no Norte.

A expectativa entre interlocutores do União é que o desempenho de Caiado nos próximos meses — incluindo a construção de palanques regionais e a articulação com o empresariado — definirá se sua pré-candidatura se consolidará ou ficará restrita ao campo simbólico. Também há uma dúvida sobre a legalidade da própria candidatura do gestor, que atualmente está inelegível e aguarda o resultado de um recurso na Justiça Eleitoral. Ele, contudo, prometeu renunciar ao cargo dentro de um ano. Por ora, o lançamento em Salvador deixou mais perguntas do que respostas.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)