Política

EXCLUSIVO: Em entrevista ao BNews, Lula revela que Bahia dita rumo da expansão do SUS

Ricardo Stuckert / PR
Presidente Lula destaca policlínicas como solução para filas, com investimento de R$ 390 milhões em novas unidades  |   Bnews - Divulgação Ricardo Stuckert / PR
Henrique Brinco

por Henrique Brinco

henrique.brinco@bnews.com.br

Publicado em 06/02/2026, às 08h30



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que cumpre agenda em Salvador nesta semana, afirmou que a ampliação do modelo de policlínicas, inspirado na experiência da Bahia, é um dos caminhos para desafogar hospitais e reduzir filas no Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país. Em entrevista exclusiva ao BNews, o chefe o Executivo Federal destacou que o governo já iniciou a implantação de novas unidades em diferentes regiões e defendeu que a estratégia garante atendimento mais rápido e digno à população.

“As policlínicas da Bahia são um grande exemplo de como é possível garantir que a população tenha acesso a consultas, exames e tratamentos especializados em um só espaço”, afirmou o presidente. Segundo ele, apenas no início deste ano foram emitidas 13 ordens de serviço para a construção de policlínicas em nove estados, com investimento total de R$ 390 milhões. Na Bahia, duas unidades, em Camaçari e Remanso, têm conclusão prevista ainda para este ano, enquanto as demais devem ser entregues entre 2027 e 2028.

Lula elogiou a continuidade das políticas de saúde no estado e citou os governos de Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues como responsáveis pela consolidação do modelo regionalizado. “Quem ganhou com isso foi a população baiana”, declarou.

Sobre o programa Agora Tem Especialistas, Lula afirmou que a iniciativa já apresenta resultados concretos na redução das filas. Ele citou as 47 carretas de saúde em operação no país, com a meta de chegar a 150, além de mutirões em hospitais universitários e filantrópicos. “Conseguimos fazer mais de mais de 100 mil procedimentos até agora”, afirmou. O presidente também destacou a parceria com hospitais e planos privados, que trocam dívidas por atendimentos ao SUS, garantindo 85 mil cirurgias e exames a mais por ano.

Na área industrial, Lula ressaltou o papel estratégico da BahiaFarma no Complexo Industrial da Saúde. Ele lembrou o investimento de R$ 183 milhões anunciado em 2025 para modernização e produção de medicamentos, incluindo projetos voltados a tratamentos contra câncer, doenças raras, doença falciforme e neuropatia diabética.

O cacique petista ainda afirmou que o Novo PAC deve investir R$ 21,6 bilhões na saúde até o fim do ano, sendo R$ 2,4 bilhões na Bahia. “Representa o cuidado essencial para que todas as pessoas sejam tratadas com a dignidade que merecem”, concluiu.

Leia a entrevista na íntegra:

BNews - As policlínicas viraram uma marca das gestões do PT na Bahia. O governo federal entra agora com força nesse modelo. O senhor acredita que esse é um dos caminhos para desafogar os hospitais em todo o país? Como e em quanto tempo esse modelo será implantado em todas as regiões?

Lula - As policlínicas da Bahia são um grande exemplo de como é possível garantir que a população tenha acesso a consultas, exames e tratamentos especializados em um só espaço, ganhando tempo, economizando em viagens, evitando longas filas e recebendo um atendimento mais digno. Por isso mesmo, só neste comecinho de ano, já emitimos 13 ordens de serviço para o início das obras de policlínicas em nove estados diferentes, com investimento total de R$ 390 milhões. Para este ano, está prevista a conclusão de duas policlínicas na Bahia, nos municípios de Camaçari e Remanso. As demais têm conclusão estimada para 2027 e 2028, e todas estão sendo acompanhadas de perto pelo governo federal, com a confirmação individual de cada projeto junto aos responsáveis.

Sempre tive, aliás, muito apreço pela forma como a Bahia trata a saúde pública. E isso inclui as policlínicas regionais, como a de Juazeiro, que visitei em julho do ano passado. Acredito que muito desse sucesso vem do fato de o estado ter conseguido promover uma política estável e bem direcionada. O governo Jaques Wagner iniciou a regionalização dos hospitais. O Rui Costa investiu fortemente no pacto com os municípios e na construção das policlínicas. E o Jerônimo ampliou esse tipo de serviço. Quem ganhou com isso foi a população baiana.

BNews -   As Unidades Odontológicas Móveis chegam a cidades que muitas vezes não têm estrutura fixa. Como o governo pretende garantir a continuidade desse atendimento após a entrega dos equipamentos?

Lula -  Usamos critérios muito responsáveis para selecionar quais municípios receberão unidades odontológicas móveis, as UOMs. Eles precisam ter equipes de Saúde Bucal e já estar financiando parte de seus custos. Depois de entregar as unidades, o Governo Federal vai garantir às prefeituras, todo mês, recursos que bancam parte de seu funcionamento. Além disso, o Ministério da Saúde acompanha e monitora o funcionamento das unidades, investe na doação de equipamentos e na qualificação dos profissionais.

Tomamos esse cuidado justamente para garantir que os municípios parceiros tenham condições de manter os equipamentos e seguir oferecendo os serviços à população. Pois não há nada mais triste do que deixar uma unidade móvel parada enquanto as pessoas que precisam de atendimento não têm a quem recorrer.

Hoje mesmo, participo de um ato em que entregaremos seis novas UOMs para municípios baianos, de um total de 32 que chegarão até o final do ano. Isso nos ajuda a afirmar, com orgulho, que o Brasil é o país que tem o maior programa público de saúde bucal do mundo. Com investimento de R$ 160 milhões, em 2025 entregamos mais de 400 unidades móveis, número quatro vezes maior que o registrado em 2022. Somando as que estão sendo entregues agora em 2026, chegaremos ao total de 800. Nosso objetivo é levar respeito e dignidade a quem mais precisa.

BNews -   O programa Agora Tem Especialistas ataca uma das maiores queixas da população, que são as filas por exames e cirurgias. Muita gente ainda morre esperando atendimento. O que o senhor diria hoje para quem está há meses na fila por uma cirurgia no SUS? Há um prazo ou meta concreta de redução dessas filas?


Lula - Não há dúvidas de que iremos reduzir essas filas com o Agora Tem Especialistas. Um exemplo disso são as 47 carretas de saúde que estão rodando o país, ampliando a assistência no SUS, reduzindo o tempo de espera e zerando filas por serviços em pelo menos 15 cidades. Isso inclui diagnósticos de câncer de mama, exames ginecológicos, cirurgias de catarata e exames de imagem. Nossa meta é chegar a 150 carretas em todo o país. 

Também estamos fazendo mutirões. Começamos pelos hospitais universitários, e depois passamos a contar com os filantrópicos. Com isso, conseguimos fazer mais de mais de 100 mil procedimentos até agora. Estendemos turnos de atendimento nos hospitais públicos e reativamos áreas que estavam paradas. E estamos equipando hospitais que aderiram ao programa, como é o caso do Hospital Santo Antônio, das Obras Sociais da Irmã Dulce, que está recebendo hoje um combo de equipamentos para cirurgia geral.

Além disso, o Agora Tem Especialistas já está colocando à disposição da população hospitais, clínicas e planos de saúde privados, que trocam dívidas federais por mais atendimento para o SUS, sem cobrar nada das pessoas beneficiadas. Rede D’Or, Grupo Athenas, Hapvida e Grupo Amil já fazem parte do programa para garantir 85 mil cirurgias e exames a mais por ano, o que envolve recursos de R$ 200 milhões.

Com o programa, 26 estados agora têm centros de radioterapia para tratar o câncer no tempo certo. Com isso, o Brasil passou a contar com 360 aceleradores lineares, cada um com capacidade de atender 600 novos pacientes por ano. E, para ampliar a detecção precoce do câncer do colo do útero, o SUS agora conta com uma tecnologia 100% nacional – o teste DNA-HPV. A meta é realizar 1,4 milhão de testes até março deste ano.

BNews -   O senhor tem defendido a reindustrialização da saúde. Qual é o papel estratégico da BahiaFarma dentro do Complexo Industrial da Saúde e que tipo de produção o governo espera fortalecer ali?
Lula -  A BahiaFarma é um dos pilares de nossa estratégia de fortalecimento do Complexo Industrial da Saúde. Digo isso porque, desde que foi reinaugurada em 2011, na gestão do Jaques Wagner, está mostrando que a Bahia tem a capacidade de ser um polo tecnológico não só apenas em setores como o automobilístico e petroquímico, mas também na área farmacêutica. Por isso, tenho certeza de que ela terá um papel cada vez mais importante na oferta de medicamentos para o SUS e no desenvolvimento industrial do estado.

Em 2025, foi anunciado o maior investimento da história da BahiaFarma, cerca de R$ 183 milhões, destinado à sua modernização e à produção de medicamentos e testes diagnósticos. Além disso, a instituição já conta com quatro projetos aprovados para produzir medicamentos biológicos que tratam o câncer e doenças raras. Também teve projetos selecionados voltados a desenvolver e avaliar tratamentos para doença falciforme e neuropatia diabética.

A verdade é que a Bahia está fazendo sua parte para o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde no Brasil. Um fortalecimento que deixará o país menos dependente de produtos importados e garantirá tratamentos cada vez melhores no SUS. E que, principalmente, nos ajudará a garantir a saúde a todas e todos.

BNews -  Por fim, presidente, que legado o senhor espera deixar na área da saúde pública com esse novo ciclo do PAC, especialmente para a população mais vulnerável?

Lula -  Até o final deste ano, o Novo PAC terá investido R$ 21,6 bilhões na área da saúde – sendo R$ 2,4 bilhões na Bahia. Fazemos isso para ter uma rede pública mais estruturada e próxima das pessoas. Uma rede capaz de atender, com a mesma qualidade, todas as pessoas, independentemente de sua renda ou do lugar onde moram. E que possa oferecer, no tempo certo, sem demoras, os serviços de saúde a quem precisa deles.

Isso significa mais hospitais e mais unidades básicas de saúde. Unidades móveis, como as que entregamos hoje, para chegarmos em locais onde não existem unidades físicas. Fábricas de medicamentos funcionando a todo vapor, para que nunca faltem remédios no SUS.

Ao lado de outras ações, como o Mais Médicos e o Agora tem Especialistas, o PAC está mudando a forma como o governo cuida da população mais vulnerável: ajuda a garantir acesso real a unidades de saúde onde antes não havia oferta. Ajuda a reduzir os deslocamentos para quem precisa buscar atendimento. Representa o cuidado essencial para que todas as pessoas sejam tratadas com a dignidade que merecem.

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