Política
por Redação
Publicado em 04/05/2026, às 10h58
O comandante-geral do Exército, Tomás Paiva, aprovou uma portaria que formaliza os estudos para um novo mapeamento dos riscos e ameaças à defesa nacional. O levantamento deve ficar pronto nas próximas semanas e ser submetido aos generais do Alto Comando provavelmente em junho.
De acordo com a CNN, o documento aponta para mudanças no desenho institucional, nas capacidades, na doutrina e na formação dos militares, como forma de preparação para os conflitos contemporâneos e para as guerras do futuro.
Ele começa com um diagnóstico do cenário geopolítico mundial, indicando "tendência consistente" de ampliação dos investimentos em defesa e dizendo que é "imperativo" ao Brasil acompanhar esse movimento.
Vale lembrar que os países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) assumiram o compromisso de elevar, de 2% para 5% do PIB, seus investimentos em defesa.
O próprio Brasil tirou do arcabouço fiscal gastos de R$ 30 bilhões, em seis anos, para a modernização de suas forças armadas -- um patamar ínfimo diante das necessidades de reaparelhamento.
Trata-se de um valor ainda insuficiente, conforme o documento do Exército, mas não basta ter mais dinheiro. Daí deriva a necessidade de "fortalecimento da Base Industrial de Defesa", assegurando capacidades críticas para a proteção contra forças inimigas.
É um quadro já sentido pelo Exército, que tem encontrado dificuldades até mesmo para renovar o estoque de munições no mercado internacional, com a demanda tão aquecida.
O diagnóstico indica ainda que conflitos contemporâneos estão sendo marcados pela "aceleração exponencial da inovação tecnológica" e pela "proliferação de sensores, sistemas não tripulados [drones] e fogos de precisão".
Outros dois pontos são citados: o subcontinente sul-americano, com abundância de recursos naturais altamente visados por potências estrangeiras, ganha posição importante em um mundo multipolar.
E expansão -- e sofisticação -- do crime organizado transnacional impõem desafios crescentes à soberania e à governança na região.
"Nesse contexto, infere-se que a efetividade no combate está diretamente associada à superioridade de informações, à letalidade, à sustentação, à proteção e à mobilidade, nos níveis tático, operacional ou estratégico."
Prontidão
O projeto de transformação do Exército prevê ainda que pelo menos 20% das tropas deverão manter "elevado grau" de prontidão para eventual resposta imediata a ameaças externas.
É o que militares responsáveis pela elaboração da nova política chamam de "dissuasão assimétrica" do inimigo. Na prática, sabendo que o Brasil pode enfrentar rivais mais bem equipados, trata-se de elevar a segurança estratégica com efetivos capazes de se deslocar para qualquer área do país e dar uma resposta inicial para anular ou minimizar as ameaças.
Das 25 brigadas atualmente operativas, cinco devem ter essa característica. A princípio, segundo fontes militares, serão as seguintes: Brigada Paraquedista no Rio de Janeiro, Brigada Aeromóvel em Caçapava (SP), Brigada de Infantaria de Selva em Marabá (PA), Brigada de Infantaria Mecanizada em Campinas (SP) e Brigada de Cavalaria Blindada em Ponta Grossa (PR).
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