Política
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) negou, na noite desta quinta-feira (24), que pretenda retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil. A declaração ocorreu após a circulação de postagens nas redes sociais que atribuíam ao candidato um suposto plano para acabar com o título religioso e classificavam a medida como um “ataque” aos católicos.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que foi surpreendido pelos comentários enquanto cumpria agenda em Minas Gerais e negou qualquer projeto nesse sentido.
“Estamos aqui na correria de agenda em Minas Gerais e sou surpreendido com uma mentira, uma fake news daquela, pra variar, que a milícia do PT está inventando na internet: que eu iria tirar a padroeira do Brasil. Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto. Então vamos lá, até o final, o PT só sabe fazer isso: mentir. Chegou no poder pela mentira, mas a gente vai tirar ele com a verdade”, disse Flávio no vídeo.
As publicações utilizam um trecho de um jornal televisivo para afirmar que Flávio teria planos de retirar ou apoiar a retirada da condição de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. No entanto, não houve comentário do candidato nesse sentido.
A legenda do vídeo publicado por Flávio também afirma: “Respeito todas as religiões e também quem não tem religião! Diferente do Lula, que quer se meter até nas regras da Igreja Católica. Deus no comando sempre!”
Na publicação, Flávio se refere a uma fala de Lula em favor do fim do celibato na Igreja Católica.
Segundo a CNN Brasil, a campanha de Flávio recebeu os boatos com “incredulidade”. Integrantes da equipe criticaram o que consideram uma tentativa de criar “uma guerra religiosa” entre católicos e evangélicos e afirmaram que o episódio demonstra o nível de “desespero” da concorrência.
A equipe jurídica da campanha avalia acionar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre o caso e já busca identificar os perfis responsáveis pela origem da informação.
Flávio Bolsonaro costuma fazer menções a Deus e tem reforçado falas sobre sua fé durante agendas de campanha. Também adotou o costume de frequentar cultos e missas, sem entrar no mérito de religiões ou denominações.
Na pré-campanha, Flávio participou de uma romaria católica de Goiânia para Trindade, em Goiás, ao lado de aliados.
Em café com jornalistas na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nesta quarta-feira (23), o presidente da entidade, Dom Jaime Spengler, afirmou que a Igreja Católica não se manifesta sobre questões político-partidárias nem declara preferência por qualquer candidato.
Sem citar nomes, Dom Jaime criticou a mistura entre religião e política ao ser questionado sobre a intersecção entre as duas áreas. Segundo o religioso, quando isso aconteceu na história, “o resultado não foi positivo”.
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