Política

"Foram dez dias que duraram 21 anos", dispara Silvio Humberto em evento sobre a Ditadura em Salvador

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Evento na UFBA reúne familiares de vítimas e autoridades para lembrar os horrores da ditadura militar brasileira  |   Bnews - Divulgação Daniel Serrano / BNews
Thiago Teixeira e Daniel Serrano

por Thiago Teixeira e Daniel Serrano

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 31/03/2026, às 18h00 - Atualizado às 18h05



"É justamente para a gente não esquecer." A fala do vereador Silvio Humberto (PSB) resume o tom da 4ª Solenidade de Entrega de Certidões de Óbito Retificadas de vítimas da ditadura militar (1964–1985), realizada nesta terça-feira (31), em Salvador.

O evento, promovido pelo Governo Federal, acontece no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no bairro do Canela, e marca os 62 anos do golpe de 1964. Ao destacar a importância da cerimônia, o parlamentar chamou atenção para o risco do apagamento histórico em meio às disputas políticas atuais.

"Esse momento aqui é memória. Quando você não fala, quando você silencia, abre espaço para distorções, ainda mais nesses tempos de disputa de narrativa e tentativas de retrocesso", afirmou.

Em uma das falas mais marcantes, Silvio Humberto resumiu o impacto do regime militar com uma metáfora: "Foram uns dez dias que duraram 21 anos", disse, em referência à rapidez da ruptura institucional em 1964 e à longa duração da ditadura.

A solenidade reúne familiares de mortos e desaparecidos políticos, além de autoridades e representantes de órgãos de memória e direitos humanos. O objetivo é corrigir registros oficiais de óbito, reconhecendo formalmente a responsabilidade do Estado brasileiro pelas mortes e violações cometidas durante o regime.

Na prática, as certidões retificadas passam a refletir a verdade histórica sobre as circunstâncias das mortes — muitas vezes ocultadas ou registradas de forma fraudulenta à época. A medida é considerada um passo importante no processo de reparação às famílias e de consolidação da memória sobre o período.

O vereador também relembrou sua própria trajetória, ao mencionar que viveu o fim da ditadura já na universidade, nos anos 1980. "A gente sabe o que é viver sem liberdade de expressão, sem democracia plena", pontuou.

Para ele, o resgate histórico ganha ainda mais relevância no cenário atual, especialmente diante da proximidade de disputas eleitorais e da polarização política. "É um momento de reflexão, de juntar forças para defender a democracia e as liberdades. As pessoas, por não terem memória, acham que a história começa agora, como se não houvesse passado", afirmou.

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