Política

Forçou a barra? Moraes é acusado de usar falha na tornozeleira para 'forçar' prisão de Bolsonaro

Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
Ex-presidente teve tornozeleira eletrônica trocada após falha no sistema, gerando reações de aliados e críticas ao STF  |   Bnews - Divulgação Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 22/11/2025, às 12h45



O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve a tornozeleira eletrônica trocada às pressas por agentes do governo do Distrito Federal na madrugada deste sábado (22), poucos minutos depois de uma falha ser registrada no sistema de monitoramento. O alerta de violação foi emitido à 0h08 pelo Centro de Monitoração Integrada da Secretaria de Administração Penitenciária.

De acordo com a Folha de São Paulo, pessoas próximas ao ex-presidente alegam que Bolsonaro dormia no momento da falha e não teria provocado o problema de forma intencional. Após a substituição do equipamento, voltou a dormir — até ser acordado, por volta das 6h, por agentes da Polícia Federal (PF) que cumpriam a ordem de prisão preventiva.

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No entorno do ex-presidente, o clima é de indignação. Aliados afirmam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, teria "aproveitado" a falha na tornozeleira para dar robustez a um pedido de prisão considerado frágil, feito pela Polícia Federal (PF) ainda na noite de sexta (21).

A solicitação da PF foi enviada após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgar um vídeo convocando apoiadores para uma vigília de oração em frente ao condomínio onde Bolsonaro mora, em Brasília. Ou seja, a PF pediu a prisão antes de qualquer registro de problema técnico no equipamento.

A avaliação entre bolsonaristas é de que Moraes teria colocado "pimenta no pedido" ao citar a falha assim que o alerta chegou ao sistema. Para esse grupo, o argumento sobre a tornozeleira seria uma “forçação de barra”, por dois motivos:

  • falhas momentâneas são comuns em monitoramentos eletrônicos e já ocorreram com outros investigados;
  • além disso, não faria sentido Bolsonaro tentar romper o aparelho de madrugada, quando a vigília — que motivou a ação da PF — estava marcada apenas para as 19h deste sábado.

Nos bastidores, aliados veem o episódio como mais um elemento da escalada de tensão entre Bolsonaro e o STF, ampliada após a decisão que levou o ex-presidente à prisão preventiva.

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