Política
O ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) criticou duramente a postura do União Brasil no cenário político nacional durante entrevista à rádio Baiana FM (89.3) nesta quarta-feira (9). Para ele, o partido vive uma crise de identidade ao tentar se apresentar como oposição ao governo federal, mesmo ocupando três ministérios na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Como é que você vai ter um candidato à Presidência da República e dizer que é oposição, se tem três ministros no governo Lula? É difícil de explicar”, disse Geddel, ao comentar a dificuldade do partido em se consolidar como uma força coesa nacionalmente.
Segundo ele, a contradição compromete a credibilidade do União Brasil diante do eleitorado. “Caiado [governador de Goiás] bate no peito dizendo que é oposição, mas, na hora de resolver as coisas do estado, bate na porta dos ministros do governo. Isso enfraquece o discurso”, afirmou.
Geddel também comentou a recente exoneração do ministro das Comunicações, Juscelino Filho, após denúncias do Ministério Público Federal, e a tentativa rápida do partido em indicar um novo nome para o cargo. “A primeira providência foi correr para indicar outro. Então, não diga que não precisa do ministério. Se precisa, assuma.”
O ex-ministro ainda ironizou a atuação do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, atual vice-presidente nacional do União Brasil. “Ele disse que, por ele, nem precisava de ministério. Então fecha o partido, fecha o castanho. Você é vice-presidente nacional do partido, mas tem força para quê?”
Na avaliação de Geddel, o União Brasil sofre com a falta de liderança e projeto nacional. “O grande drama do União Brasil é esse: não consegue explicar sua posição. E sem clareza política, perde força e identidade.”
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