Política

Gigante da construção que já foi envolvida na Operação Lava Jato foi sócia de Vorcaro na venda de 577 apartamentos de luxo

Bruno Gomes/Diario do Nordeste
Um dos prédios ficou pronto há menos de um mês e tem 21 apartamentos de luxo  |   Bnews - Divulgação Bruno Gomes/Diario do Nordeste
Rebeca Santos

por Rebeca Santos

Publicado em 25/05/2026, às 06h31 - Atualizado às 06h32



Seis projetos imobiliários novos em São Paulo ligam os dois maiores escândalos de corrupção recentes do Brasil.

Esses empreendimentos são parcerias entre a Novonor (novo nome que a Odebrecht adotou para tentar limpar sua imagem após a Lava Jato) e fundos ligados a Daniel Vorcaro.

Um dos prédios ficou pronto há menos de um mês e tem 21 apartamentos de luxo. Outros três já estão em fase de venda, com 555 apartamentos e 70 salas comerciais no total. Mais dois foram anunciados, mas ainda não foram lançados. Todos os seis projetos estão bloqueados por decisões da 3ª Vara de Falências de São Paulo, que atingem bens do ex-controlador do Banco Master, que hoje está preso.

METRÓPOLES
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Os empreendimentos pertencem a cinco incorporadoras. Do lado da Odebrecht, a sócia é a Orion Empreendimentos (empresa que recebeu os ativos da antiga Odebrecht Realizações Imobiliárias). Do lado de Vorcaro, as sócias são sociedades anônimas cujos únicos donos são dois fundos de investimento atribuídos ao banqueiro pelo liquidante do Banco Master.

Segundo informações do Metrópoles, esses fundos foram usados como “instrumentos de aquisição e titularização formal de bens destinados ao uso e benefício pessoal de Daniel Vorcaro”. Por isso, a 3ª Vara de Falências determinou a averbação de pendência judicial sobre a Magma Empreendimentos e os fundos Lunar e Quality Golden, entre outros bens do banqueiro.

A medida é cautelar e prepara uma futura ação revocatória para tentar recuperar ativos desviados do banco. Ninguém contestou a decisão até agora.

A Magma, que é sócia da Odebrecht em pelo menos três projetos já lançados, tem como acionistas dois fundos de investimento em participações (FIP): o Quality Golden e o Lunar.

Até outubro de 2024, o fundo Lunar tinha como acionista o fundo Astralo 95, o mesmo que era dono da cota de Vorcaro na SAF do Atlético-MG.

A OR (braço imobiliário da Odebrecht) informou à coluna Metrópoles que fechou os aportes em 2022 com empresas ligadas a Augusto Lima, que era CEO do Banco Master na época.

Segundo a empresa, os acordos foram feitos após procedimentos de governança que “não encontraram menção ao Banco Master ou Vorcaro como possíveis beneficiários finais das investidoras à época”.

Augusto Lima também foi preso na operação Compliance Zero e atualmente usa tornozeleira eletrônica.

A OR ainda afirmou que, depois de saber pela imprensa dos processos contra suas sócias, “adotou imediatamente as medidas cabíveis para encerrar qualquer associação ou relacionamento com essas empresas”.

Até o momento, nenhuma alteração societária foi registrada na Junta Comercial.

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