Política

Governo Lula chama procuradora que impediu fraudes no INSS na gestão Bolsonaro

Cleia Viana / Câmara dos Deputados
Durante gestão, Márcia Eliza suspendeu acordos do INSS que resultaram em queda significativa na arrecadação das associações  |   Bnews - Divulgação Cleia Viana / Câmara dos Deputados

Publicado em 19/05/2025, às 10h30   Yuri Pastori



A procuradora Márcia Eliza de Souza recebeu convite do governo Lula para assumir a direção de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2019, ela puniu entidades que faziam descontos ilegais. 

A atuação de Márcia Eliza foi descrita no inquérito da Polícia Federal (PF). Em maio daquele ano, ela suspendeu os descontos que eram realizados pela Associação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Asbapi) após um volume grande de reclamações que gerou, inclusive, abertura de inquérito no Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

A investigação levou à recisão de acordos do INSS com mais quatro associações: Associação Beneficente de Auxílio Mútuo dos Servidores Públicos (Abamsp), a Associação Nacional de Aposentados e Pensionistas da Previdência Social (Anapps) e a Central Nacional de Aposentados e Pensionistas do Brasil (Centrape). 

Conforme noticiou a revista Veja, após a medida, a Anapps, que tinha faturado 28 milhões de reais naquele ano, arrecadou apenas 320 reais em 2020. O faturamento da Abamsp caiu de 52 milhões para 188 reais. Na Centrape, a queda foi de 45 milhões de reais para apenas 125 reais.  A Asbapi saiu de uma arrecadação de 33 milhões para faturamento zero no ano seguinte. Esta última chegou a contestar a suspensão, mas não teve êxito.

Em outubro de 2019, R$ 14 milhões descontados irregularmente por entidades associativas foram devolvidos aos segurados. O INSS reteve R$ 57 milhões que seriam repassados a outras instituições.

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