Política
Publicado em 15/09/2024, às 16h25 Redação
O Brasil passa pela pior seca dos últimos 94 anos e, com a chegada do calor, deve enfrentar picos mais altos de consumo. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a quantidade de água que chega nos rios e é usada para gerar energia está abaixo da média histórica e tem sido um “ponto de atenção” desde dezembro de 2023.
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Esse cenário acende um alerta no governo para garantir a continuidade do fornecimento de energia. Diante da situação, o governo tem lançado mão de algumas medidas e estudado outras, como o retorno do horário de verão.
Nesta semana, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou que o governo estuda o retorno da medida ainda em 2024 para reduzir os impactos da crise hídrica sobre o sistema elétrico. A ideia ainda é analisada pela pasta, mas a avaliação dos técnicos do governo é de que depende de uma decisão política, e não técnica.
Ao longo dos anos, o horário de verão se mostrou pouco eficaz para economizar energia. Mas, para o Ministério de Minas e Energia, a medida poderia ajudar a deslocar o pico de consumo, que costuma ocorrer no início da noite.
Nesse horário, a geração de energia solar cai por causa da falta de sol. Ao mesmo tempo, a geração eólica sobe porque há maior incidência de ventos à noite e em determinadas épocas do ano. No intervalo entre a queda da solar e o aumento da eólica, há um pico de consumo que precisa ser suprido por energia hidrelétrica ou térmica.
Plano de contingência
O governo determinou ao ONS a elaboração, em até 30 dias, de um plano para garantir o fornecimento de energia no horizonte de 2024 a 2026. O plano vai conter medidas para manter o suprimento no sistema interligado nacional (SIN) e no sistema isolado de Roraima — único que não está conectado ao restante do país.
Segundo a determinação de Silveira, o ONS também deve conter “propostas de medidas concretas” para serem adotadas ano a ano pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) — que reúne autoridades do setor.
Acionamento de termelétricas
O ONS tem aumentado o despacho de usinas termelétricas para suprir os horários de pico de consumo. Na semana de 31 de agosto a 6 de setembro, por exemplo, a geração de energia por usinas termelétricas chegou ao patamar de 14%, na comparação com as outras fontes do sistema interligado. No mesmo período de 2023, a parcela era de 10,3%.
Essas usinas garantem maior segurança ao sistema porque podem gerar de forma constante, diferente das usinas eólicas e solares, que dependem da incidência de vento e sol.
Contudo, as termelétricas são mais caras, por causa do custo de aquisição do combustível, e mais poluentes. As usinas, em sua maioria, geram energia a óleo combustível, carvão mineral e gás natural.
As usinas que estão sendo acionadas atualmente estão dentro da “ordem de mérito” — que determina a prioridade de despacho, levando em consideração o custo de cada usina e sua disponibilidade.
Operação de linhas de transmissão
O governo também considera articular a entrada em operação de três linhas de transmissão para garantir o escoamento de energia nos meses de setembro a dezembro deste ano.
O sistema elétrico é organizado em geração, transmissão e distribuição. As usinas geradoras de energia se conectam à rede de transmissão, que corta o país e é operada pelo ONS.
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