Política
Publicado em 19/02/2025, às 08h15 Rebeca Santos
A denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, revela que o grupo criminoso liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizava um monitoramento detalhado do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
As investigações indicam que o grupo tinha conhecimento até mesmo da posição exata em que o magistrado se sentaria durante a cerimônia de diplomação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada em 12 de dezembro de 2022.
As informações foram divulgadas na denúncia apresentada na noite da última terça-feira (18). Segundo Gonet, o plano para assassinar o ministro fazia parte de uma operação chamada “Copa 2022”.
Os integrantes do grupo utilizavam codinomes inspirados na série “La Casa de Papel”, como Alemanha, Argentina, Áustria, Brasil e Gana. O relatório da Polícia Federal (PF) ainda não conseguiu identificar a identidade do indivíduo conhecido como Alemanha, apontado como responsável por coordenar o plano.
Gonet detalhou o envolvimento dos demais membros do grupo e destacou dois pontos que chamaram atenção: o uso do aplicativo Signal para troca de mensagens e o fato de as linhas telefônicas estarem registradas em nome de terceiros.
Em uma das conversas realizadas fora do Signal, Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro, enviou uma mensagem a Mauro Cid, então ajudante de ordens do ex-presidente, detalhando o que ocorreria durante a cerimônia de diplomação de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Estarão na portaria. Trecho 5 será do presidente. Rota verde com desembarque exclusivo da comitiva do diplomado, que será no subsolo. Cancelo central interno destinado a veículo oficial. Percurso rosa aos demais convidados”, escreveu.
Em seguida, acrescentou: “Acesso do Ministro Alexandre é o trecho cinco” e concluiu: “Tudo pronto para a diplomação segunda-feira”.
No dia do evento, os denunciados continuaram monitorando os movimentos de Alexandre de Moraes. Em uma troca de mensagens, Cid escreveu “nada” para Marcelo Câmara, que respondeu com “ainda não”, acrescentando que “o cara está assustado”.
Segundo informações do Metrópoles, o plano de execução do ministro estava previsto para ocorrer em 15 de dezembro. Dois dias antes, em 13 de dezembro, após a diplomação de Lula, o terminal associado ao codinome Gana deslocou-se de Goiânia para Brasília, conectando-se a antenas próximas à residência funcional do magistrado. No dia marcado para a execução, Câmara enviou novas informações a Cid.
De acordo com Gonet, quase todos os integrantes do grupo, com exceção de Alemanha, viajaram de Goiânia para Brasília em 15 de dezembro. O grupo, conhecido como “kids preto”, tem base em Goiânia, o que sugere a participação de integrantes militarizados.
“A operação mirava a residência funcional do ministro Alexandre de Moraes, local para onde os agentes se dirigiram, posicionando-se em pontos estratégicos e aguardando os passos seguintes”, descreveu Gonet.
No entanto, o plano foi abortado por decisão de Alemanha, após o STF adiar a votação do orçamento secreto.
Classificação Indicativa: Livre
som poderoso
Som perfeito
Smartwatch top
Qualidade JBL
iPhone barato