Política
por Daniel Serrano
Publicado em 24/07/2026, às 18h25 - Atualizado às 18h25
A Federação PSOL-Rede oficializou, nesta sexta-feira (24), durante convenção, as candidaturas da legenda para as eleições estaduais deste ano. A coligação terá o presidente do partido, Ronaldo Mansur, como candidato ao Governo da Bahia, Meire Reis (PSOL) para vice-governadora e Delliana Ricelli (PSOL) e Marcelo Carvalho (Rede Sustentabilidade) como candidatos ao Senado.
Entre os nomes homologados está o do deputado estadual Hilton Coelho (PSOL), que disputará a reeleição à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Em entrevista coletiva, o parlamentar defendeu a candidatura de Ronaldo Mansur ao Governo da Bahia e disse que a decisão de lançar uma chapa própria demonstra a independência política do PSOL em relação ao Partido dos Trabalhadores (PT), rebatendo críticas de que a sigla seria um "campo acessório" da legenda petista.
"A candidatura homologada aqui nessa convenção é uma demonstração muito evidente de que o PSOL tem uma personalidade própria. Todo mundo está imbuído da tarefa de derrotar o bolsonarismo no Brasil, derrotar a extrema-direita, derrotar Flávio Bolsonaro. Nós estamos com Lula nacionalmente, mas aqui na Bahia o nosso partido tem candidatura própria. Nós e a Rede Sustentabilidade estamos mostrando uma personalidade forte", afirmou.
Durante a entrevista, Hilton destacou que a candidatura de Ronaldo Mansur apresentará propostas distintas das defendidas pelo atual governo estadual, principalmente em áreas como desenvolvimento regional, segurança pública e meio ambiente. Segundo o parlamentar, uma das prioridades do partido é fortalecer a integração regional da Bahia.
"As intervenções do companheiro Ronaldo Mansur, de Meire Reis e de Deliana têm demonstrado que nós temos uma leitura de que a Bahia está extremamente bloqueada do ponto de vista do desenvolvimento regional. Nós batalhamos, por exemplo, para que o VLT virasse uma realidade de integração regional. Depois de muita disputa, conseguimos essa vitória popular", disse
"Temos que parar de matar os pobres e prender os ricos", acrescentou o parlamentar.
Hilton Coelho também fez duras críticas à política de segurança pública do governo baiano. O deputado classificou como "macabros" os números de mortes decorrentes de ações policiais no estado.
"Nós não podemos continuar sendo o estado com pior índice de letalidade policial do Brasil. A Bahia, em 2025, matou simplesmente 1.600 pessoas em ações policiais seguidas de morte. O segundo lugar foi São Paulo, com cerca de 900 mortes. É um número macabro", declarou.
Ao defender mudanças na política de segurança, o parlamentar resumiu a proposta do PSOL.
"Nós temos que parar de matar os pobres e prender os ricos. A Polícia Civil sabe quem deve ser preso para desarticular o crime. Os bandidos ricos moram no Corredor da Vitória, no Alphaville, na Barra. Esses estão intocáveis. Esse espetáculo da matança dos pobres não pode permanecer na Bahia", avaliou
Na avaliação do deputado, o combate à violência passa por investimentos mais robustos em educação, cultura, esporte e políticas voltadas para a juventude.
"Nós precisamos de orçamento de bilhões. Não queremos 'milhãozinho' para a nossa juventude. A violência está ligada à vulnerabilidade social. É possível fazer um investimento maciço em políticas sociais que dê retorno imediato. A pergunta é: o governo tem disposição para salvar a nossa juventude? Porque chega de dissimulação", afirmou.
Outro tema abordado por Hilton Coelho foi a preservação ambiental. O deputado criticou o avanço do desmatamento no Cerrado baiano e cobrou do governo estadual a criação da Unidade de Conservação da Serra da Chapadinha. Segundo ele, a região é estratégica para o abastecimento hídrico do estado.
"A Bahia é o estado que mais desmatou o Cerrado. Nós não podemos compactuar com isso. O Cerrado é a caixa d'água do São Francisco e da Bahia. Precisamos que o governo publique o decreto da Unidade de Conservação da Serra da Chapadinha antes que a mineração avance sobre uma área que abastece Salvador, a Região Metropolitana e mais de 80 municípios", disse.
Questionado sobre a diferença entre a estratégia do PSOL e a de partidos com maior acesso aos recursos eleitorais, Hilton afirmou que a aposta da legenda será a mobilização social.
"O PSOL e a Rede Sustentabilidade não querem ganhar a eleição de maneira fácil. Nós queremos convencer a população de que é preciso transformar a campanha numa grande mobilização social", declarou.
"A Bahia é um povo de resistência, tem uma história de projetos alternativos, e acreditamos que vamos construir essa sintonia. Não sei se será suficiente para vencer agora, mas Ronaldo Mansur, Meire Reis e Deliana vão fazer história nesse processo", emendou.
O deputado também comentou a declaração do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que afirmou desconhecer a candidatura própria do PSOL ao Governo da Bahia. Para Hilton, quem está em desacordo com a posição majoritária da legenda é o próprio ministro.
"Guilherme Boulos está precisando de apoio dentro do PSOL. Ele defendeu que o PSOL participasse da federação com o PT e simplesmente 76% do PSOL disse não. Então, se tem alguém que está deslocado dentro do PSOL, não é o companheiro Ronaldo Mansur, é o companheiro Guilherme Boulos", disparou.
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